Anvisa e Colgate: entenda a proibição (e a l…
Se você acompanhou o noticiário recentemente, viu que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a interdição de lotes do creme dental Colgate Total Clean Mint na semana passada.
A medida, que suspendeu a comercialização do produto, teve como base a avaliação de risco realizada pelos técnicos da agência após o recebimento de um número significativo de relatos de reações adversas associadas ao creme.
A Anvisa informou que as queixas incluem lesões na boca, inflamação da gengiva, inchaço dos lábios e sensações incômodas, como dor, queimação, ardência e formigamento.
A agência salientou ainda que as manifestações têm impactado a qualidade de vida e levado a problemas como afastamento do trabalho, dificuldades para se alimentar e se comunicar, e sofrimento emocional.
No dia 27 de março, a fabricante Colgate Palmolive apresentou recurso junto à Anvisa. O pedido foi aceito e a interdição do produto foi suspensa pela agência.
Em nota, a empresa afirmou que o produto não oferece riscos à saúde, mas algumas pessoas podem apresentar sensibilidade a ele. “Entendemos e reconhecemos que esses casos podem ser um desconforto e nos colocamos à disposição para tratar cada um deles por meio do 0800 703 7722”, pontuou a Colgate.
Entenda como funciona os trâmites em casos como esse.
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Fiscalização
Uma das frentes de ação da Anvisa é a fiscalização sanitária de diferentes produtos vendidos no país, como medicamentos, dispositivos médicos, testes para diagnóstico, alimentos, cosméticos e saneantes.
As ações são realizadas a partir de programas de monitoramento, queixas técnicas ou denúncias, como as apresentadas pelos consumidores do creme dental. O registro de problemas pode ser realizado online, em uma área específica no site da agência (veja como fazer uma reclamação).
As primeiras informações recebidas são avaliadas e, se necessário, são solicitados mais dados para análise por uma equipe técnica especializada. Enquanto isso acontece, podem ser tomadas medidas para descartar ou reduzir possíveis riscos à saúde da população, como a suspensão da venda de um item, por exemplo.
A fiscalização ainda envolve a proibição definitiva da venda, importação ou propaganda do produto, bem como as ações de apreensão e recolhimento.
As determinações permanecem em voga até que a Anvisa certifique que não há mais riscos à saúde — exatamente o que aconteceu com o creme dental da Colgate.

O que fazer agora?
Ao anunciar a suspensão da interdição, a Anvisa publicou um alerta sobre as chances de reações indesejáveis com o uso do Colgate Total Clean Mint.
Os consumidores foram orientados a observar sinais de irritação e interromper o uso do produto nesses casos. Além disso, devem buscar atendimento médico em caso de desconforto persistente.
Por parte dos profissionais de saúde, cabe o monitoramento de sinais de alterações bucais e orientação dos pacientes sobre possíveis efeitos colaterais.
A Anvisa afirma ainda que os fabricantes devem garantir que a rotulagem contenha informações claras sobre as reações adversas.
O alerta é válido para o Colgate Total Clean Mint, que contém fluoreto de estanho na formulação.
O que é fluoreto de estanho?
O fluoreto de estanho é um composto químico utilizado em produtos de higiene bucal. Ele age protegendo os dentes contra cáries (ao reduzir a formação de biofilmes de microrganismos), fortalecendo o esmalte dental e auxiliando no controle da sensibilidade e da gengivite.
“Essa substância é comum em cremes dentais e enxaguantes bucais. No Brasil, seu uso é aprovado pela Anvisa, o que indica que passou por avaliações de segurança e eficácia. Quando utilizado conforme as recomendações, ele é seguro para a maioria das pessoas”, pontua o farmacologista Lucas Gazarini, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Vale destacar que não se trata do flúor, aquele velho conhecido da saúde bucal, que de forma isolada é um elemento químico. O fluoreto de estanho é um composto que contém flúor em sua estrutura.
“O fluoreto de estanho é uma fonte de flúor, assim como outros fluoretos utilizados em produtos odontológicos, como o fluoreto de sódio. O de estanho tem sido utilizado com frequência por parecer ser mais potente em promover os efeitos benéficos para a saúde bucal”, explica Gazarini.
Algumas pessoas, porém, apresentam sensibilidade ao fluoreto de estanho, a corantes, aromas ou outros ingredientes presentes nos cremes dentais. Isso pode causar irritação na boca ou nas gengivas.
Alguns corantes específicos, como o amarelo de tartrazina, têm uma incidência maior de hipersensibilidade, e por isso seu uso tem sido descontinuado.
Esse tipo de processo depende da notificação de reações adversas, como as que têm acontecido agora, com o fluoreto de estanho.
Caso essas notificações aumentem, isso pode fazer com que a regulamentação do uso desse composto mude, alterando faixa de concentrações aceitáveis ou restringindo seu uso”, detalha o farmacologista.
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