Perder peso sem perder músculo: o desafio das canetas emagrecedoras

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Para reduzir seu peso, as canetas emagrecedoras podem acabar te deixando mais gordo. A frase parece absurda. Afinal, os análogos de GLP-1 e GIP estão entre os medicamentos mais eficazes já desenvolvidos para a redução do peso corporal.

Muitos pacientes perdem 10%, 15% ou até mais de 20% do peso inicial. Então como seria possível afirmar que esses medicamentos podem deixar alguém mais gordo?

A resposta está em uma diferença fundamental que a balança não consegue enxergar: peso corporal não é sinônimo de composição corporal.

Quando uma pessoa perde peso, ela não perde apenas gordura. Parte dessa redução ocorre às custas da massa muscular, dos órgãos metabolicamente ativos, da água corporal e de outros componentes da massa magra.

Historicamente, acreditava-se que aproximadamente 75% do peso perdido durante um processo de emagrecimento correspondia à gordura e cerca de 25% à massa magra. Entretanto, estudos recentes com os análogos de GLP-1 mostram que a perda de massa magra pode representar entre 25% e 40% do peso total perdido em alguns indivíduos.

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À primeira vista, isso pode não parecer um problema. Afinal, a pessoa continua mais leve. O problema é que o músculo não é apenas responsável pela força e pela mobilidade. Ele é também o principal órgão relacionado à captação de glicose, ao gasto energético e à manutenção da independência funcional durante o envelhecimento.

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Imagine duas pessoas com exatamente o mesmo peso corporal. A primeira possui 25% de gordura corporal. A segunda possui 35%. Embora a balança mostre números idênticos, metabolicamente elas são completamente diferentes.

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Agora imagine alguém que inicia o tratamento com 100 kg e 40 kg de gordura corporal. Após perder 20 kg, chega aos 80 kg. Parece um enorme sucesso. Mas se parte significativa dessa perda ocorreu às custas do músculo, é possível que a proporção de gordura corporal permaneça elevada, ou até se torne relativamente maior do que o esperado para aquele novo peso.

Nesse cenário, temos uma pessoa mais leve, mas não necessariamente mais saudável do ponto de vista da composição corporal.

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O risco da obesidade sarcopênica

O risco torna-se ainda maior quando o medicamento é utilizado sem uma estratégia nutricional adequada e sem exercícios de força. A redução do apetite promovida pelas canetas frequentemente leva a uma ingestão insuficiente de proteínas. Além disso, muitos pacientes passam a comer tão pouco que deixam de fornecer os estímulos necessários para preservar o tecido muscular.

O resultado pode ser uma condição que alguns pesquisadores já começam a chamar de “obesidade de baixo peso” ou “obesidade sarcopênica”, caracterizada por uma combinação de pouca massa muscular e excesso relativo de gordura.

Essa situação merece atenção especial porque a perda de massa muscular está associada a menor gasto energético, maior risco de recuperação do peso, pior controle glicêmico, aumento da fragilidade e redução da qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

Isso significa que as canetas são ruins? Definitivamente não.

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Elas representam um dos maiores avanços da história do tratamento da obesidade. O erro está em acreditar que o objetivo do tratamento é apenas reduzir o número mostrado na balança.

O verdadeiro objetivo deve ser reduzir gordura corporal preservando o máximo possível da massa muscular.

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Para isso, três pilares tornam-se indispensáveis: ingestão adequada de proteínas, treinamento de força regular e acompanhamento profissional capaz de monitorar não apenas o peso, mas também a composição corporal.

A pergunta certa sobre o emagrecimento

Talvez a pergunta mais importante durante o tratamento não seja “quantos quilos eu perdi?”, mas sim “de onde vieram esses quilos que eu perdi?”.

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Porque perder peso é relativamente fácil. Difícil é perder gordura sem perder músculo.

E é exatamente essa diferença que determina se o paciente estará apenas mais leve ou verdadeiramente mais saudável.

 

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