As mentiras do Dr. TikTok: como a máquina de desinformação das redes sociais coloca sua saúde em risco

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O alimento mais anti-inflamatório do mundo não é a cúrcuma nem o gengibre. É a beterraba. Apenas uma colher de chá reduz a inflamação das articulações em 60% e restaura o fluxo sanguíneo.

Ao menos é o que alega um vídeo que circula no TikTok, a rede social que mais cresce no mundo. Quem faz a afirmação nem sequer é uma pessoa real: trata-se de uma personagem gerada por inteligência artificial (IA). Mas quem é que sabe a diferença?

O material foi compartilhado por um médico de verdade, que tem centenas de milhares de seguidores e é visto como “referência” dos tratamentos alternativos. E é apenas um exemplo do que oferece o maior universo de desinformação da atualidade: as redes sociais.

Basta navegar por elas ou ler as análises científicas a respeito para ter a certeza de que a maioria dos conteúdos sobre medicina, alimentação e outros tópicos relacionados ao bem-estar trafegando ali é baseada em distorções ou mentiras.

E, numa era em que as pessoas passam a utilizar plataformas como Instagram e TikTok como seu principal meio de estar por dentro das notícias, isso se tornou um problema. Problema de saúde pública.

“Se você escreve um absurdo na imprensa, pode ser processado e perder sua credibilidade. Agora, na internet, qualquer um pode falar o que quer e nada acontece”, lamenta o médico Drauzio Varella, que há décadas atua como comunicador e é ele próprio vítima da desinformação online.

Um estudo recente do Netlab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliou em detalhes mais de 6,5 mil anúncios fraudulentos relacionados à saúde na web. Drauzio Varella — ou melhor, simulações dele geradas por IA — protagonizava 22% deles.

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Muito além das dicas para comer beterraba e salvar a saúde, o ecossistema digital traz conselhos e armadilhas perigosos, como “Sal não eleva a pressão”, “Protetor solar causa tumores”, “Pare de tomar seu remédio para o colesterol” ou “Testosterona cura até câncer”.

São promessas infundadas, propagadas por gente real (ou não!), que geram um lucro tremendo para os profissionais e as plataformas.

“A indústria da desinformação em saúde é gigantesca porque todo mundo tem alguma doença, alguma dor a ser tratada”, resume Marie Santini, coordenadora do Netlab. Na areia movediça das redes, qualquer um corre o risco de se afundar. 

Nesta reportagem, você vai ler sobre:

  • Como os brasileiros consomem informação na era digital, de acordo com estudos
  • O lucro e a lógica por trás dos algoritmos das redes
  • O que são os “determinantes comerciais da saúde”
  • O que as plataformas dizem fazer contra a desinformação
  • Quanto do conteúdo de saúde online é falso
  • Esquemas criminosos que usam a saúde como arma
  • Os riscos das propagandas falsas geradas por IA
  • O que realmente funciona para cuidar da saúde, segundo especialistas
  • O debate sobre a regulação das redes sociais
  • Detector de picaretas: sinais de alerta nas redes
  • As 13 maiores mentiras sobre saúde que viralizam online

Crise de confiança

A última edição da pesquisa Trust Barometer, realizada pela agência de comunicação Edelman em diversos países há 25 anos, trouxe dados reveladores sobre o consumo de informações na era digital.

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Primeiro: 67% dos brasileiros acreditam que os jornalistas mentem propositalmente sobre saúde e mais de 70% creem que governantes o fazem — no mundo, a média para ambos é 57%.

E, embora 79% confiem muito no próprio médico, 39% já desconsideraram suas orientações para seguir conselhos de familiares ou amigos e 34% para adotar algo que viram nas redes sociais.

Nesse terreno de influência descentralizada, informação bombardeada e crise de confiança na imprensa, cultiva-se uma espécie de autoconfiança.

No Brasil, segundo o mesmo levantamento, 75% dos respondentes afirmam ser capazes de encontrar informações confiáveis sobre saúde e 76% dizem saber distinguir conselhos médicos bons e ruins. Outros estudos endossam essa tendência cheia de efeitos colaterais.

Pesquisas mostram que público vive crise de confiança sobre instituição tradicionais e jornalistas, optando por tomar decisões baseadas nas redes sociais.
Pesquisas mostram que público vive crise de confiança sobre instituição tradicionais, optando por tomar decisões baseadas nas redes sociais. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
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Segundo o Digital News Report, relatório desenvolvido anualmente pelo Instituto Reuters e a Universidade de Oxford, na Inglaterra, o engajamento da população com a mídia tradicional — que inclui televisão, jornais e revistas impressos e sites de notícias — caiu significativamente.

No vazio informacional, decola a capacidade de personalidades e influencers, alavancados pelos algoritmos, moldarem o debate público. Metade dos brasileiros já se informa pelas redes. Por aqui, os aplicativos mais usados para isso são o YouTube e o Instagram, empatados com 37% cada um, seguidos pelo WhatsApp, com 36%.

Despontando como quem mais cresce, está o TikTok: ao menos 18% das pessoas usam o aplicativo de vídeos rápidos como fonte de notícias. Ao olhar só para a saúde, o cenário se confirma sob influência de outra variável: a idade. Uma pesquisa do Instituto Datafolha diagnosticou que 53% dos brasileiros usam as redes sociais para se informar sobre saúde, e, entre os jovens, a taxa sobe para 66%.

Se por um lado essa transição nas fontes de informação sugere uma democratização na produção de conteúdo e no acesso a ele, por outro traz desafios que extravasam as telas.

“Existe uma diferença entre conhecimento objetivo e conhecimento subjetivo. O objetivo é o que sabemos sobre a realidade, do ponto de vista científico, e o subjetivo é aquilo que eu acho que sei sobre a realidade”, diz o farmacêutico André Bacchi, professor da Universidade Federal de Rondonópolis, em Mato Grosso.

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“Hoje, as pessoas não estão desinformadas no sentido clássico da palavra. Elas acessam conteúdos muito divergentes e se sentem bem-informadas pelas vias de sua confiança, o que as torna imunes à informação confiável”, analisa o divulgador científico, que pesquisa e escreve sobre picaretagens nas redes.

Mas, enquanto jornalistas são treinados e pagos para contar a “verdade” e a imprensa tem filtros para impedir que mentiras sejam publicadas, sob pena de colher as consequências jurídicas de seus erros, nas plataformas a zona de liberdade escancara um lado perverso.

“Para as redes sociais, não é relevante a qualidade do que circula. O que é relevante é a quantidade de pessoas assistindo, e o que elas estão conseguindo capturar de dados que vão ser vendidos como publicidade depois”, explica Raquel Recuero, professora de comunicação social da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul.

Na batalha pela atenção, o conteúdo sedutor ou viralizável se torna o grande valor na mão dos picaretas e das próprias plataformas. Como parte da investigação para esta reportagem, criamos um perfil no TikTok e fizemos uma busca rápida por palavras-chave como “suplemento” e “emagrecimento”.

Bastaram alguns minutos e pronto: mesmo sem seguirmos pessoas ou marcas, fomos abarrotados de ofertas de “Mounjaro genérico” — cápsulas que imitariam, sem estudos, o efeito do medicamento —, dicas de suplementos imprescindíveis para quem treina, e por aí vai.

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A plataforma chinesa, criada em 2016, vive uma ascensão meteórica porque dominou como poucos a arte da guerra pela atenção das pessoas. E aqui vale lembrar o básico: as redes são gratuitas porque elas ganham dinheiro vendendo informações suas a anunciantes, que podem oferecer propaganda ultrapersonalizada com esses dados.

Então, quanto mais tempo você passa ali, melhor para elas. Só que aí começa uma via de mão dupla: você mostra seu gosto ao algoritmo de acordo com as suas interações e ele passa a influenciar seu gosto ou atitudes com novas recomendações.

Por exemplo: se você curtiu o Mounjaro natural, provavelmente vai receber postagens sobre alimentos que inflamam ou protocolos de desintoxicação. Nesse sistema de retroalimentação, nossos vieses e inclinações também são reafirmados, ainda que um conteúdo ao acaso pareça uma maluquice.

“Digamos que eu assisti a um vídeo em que a pessoa diz que tomou ivermectina [o antiparasitário erroneamente usado no tratamento da covid] e se curou de um câncer. Eu duvido, questiono. Mas o algoritmo começa a me recomendar outros vídeos de outras pessoas dizendo a mesma coisa”, ilustra Recuero. “Para o algoritmo, não interessa se aquilo tem ou não fundamento. Ele entendeu que eu gosto daquele tipo de conteúdo.”

Água mole em pedra dura… “Somos seres sociais e tendemos a prestar atenção no que os outros fazem e aprender com as experiências alheias. Então, se tem tanta gente falando algo assim, elas não devem estar erradas”, conclui o raciocínio a pesquisadora gaúcha.

O poder dessa teia algorítmica foi destrinchado com profundidade no livro A Máquina do Caos (Todavia), do jornalista americano Max Fisher. A obra mostra, inclusive com exemplos reais e de grandes proporções, como as redes influenciam eleições e fomentam violência.

Mas toda essa jornada começa no campo da saúde, a partir do movimento antivacina, cuja história é um exemplo clássico de como operam suas engrenagens. 

Max Fisher inicia seu livro contando a história de Renée DiResta, uma mãe que trabalhava com investimentos em startups do Vale do Silício e consumia informações sobre a criação dos filhos nas redes sociais. Logo ela se deparou com debates calorosos sobre vacinação, um assunto que mal via fora da internet.

Curiosa, foi pesquisar dados de vida real e descobriu que a adesão aos imunizantes vinha despencando, a despeito da percepção de pesquisas apontando que a população aprovava a estratégia preventiva.

O que, então, justificava a queda? DiResta, que no passado trabalhou em uma agência de espionagem, se debruçou sobre a aparente contradição, e entrou, segundo a própria, numa “toca do coelho” de desinformação antivacina.

“Essa toca do coelho não a levou a descobrir uma mão invisível por trás do movimento antivacina, mas as próprias redes sociais nas quais o movimento havia crescido”, escreve Fisher. A pesquisadora Marie Santini é categórica ao afirmar, como Fisher e DiResta, que as plataformas espalham a desinformação.

“Há uma narrativa de que elas são apenas um platô, uma superfície lisa que só intermedeia a entrega de conteúdo, o que é uma absoluta mentira, porque tudo é definido pelo algoritmo de recomendação, seja um anúncio ou um post orgânico”, destrincha. E essa definição, segue a cientista do Netlab, é motivada por quanto dinheiro aquilo vai render.

Na ponta do iceberg, descobriu-se que 10% do lucro da dona do Facebook e do Instagram vem de anúncios falsos, segundo documentos internos da empresa obtidos pela Reuters e revelados em novembro de 2025. Estamos falando de surreais 16 bilhões de dólares.

“Mesmo que os processos movidos contra essas corporações possam gerar multas, está tudo bem, porque elas têm muitos advogados e o lucro segue sendo enorme”, aponta Santini, que destaca ainda a dificuldade de pesquisar a desinformação nesses ambientes digitais, em especial no TikTok.

“A Meta, pelo menos, tem um programa, uma tentativa de entregar dados a cientistas, que é horrível, mas é alguma coisa, além de um repositório online de anúncios. Agora, o TikTok nem isso tem. No Brasil, não conseguimos acessar nada, então nem sabemos o que está acontecendo”, relata. É uma terra de ninguém, apesar das tentativas públicas de fazer parecer o contrário.

Nos últimos meses de 2025, o TikTok colocou na rua uma campanha publicitária afirmando que a rede traz “ciência” para a vida dos brasileiros, com comerciais de TV, anúncios no metrô e uma divulgadora científica como garota-propaganda.

Em 2024, a empresa fez parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para promover informações em saúde baseadas em evidências.

Mas iniciativas do tipo são criticadas por não atacarem a raiz do problema, que é o modelo de negócios baseado no algoritmo de recomendação sem critérios de qualidade, com moderação insuficiente e pouca transparência.

Dois cientistas publicaram uma correspondência no renomado periódico The Lancet criticando a OMS pela ação.

“O controle estrito dos dados impede estudos sobre a desinformação. Para acessá-los, pesquisadores enfrentam duras restrições, que incluem fornecer o manuscrito da pesquisa ao TikTok antes da publicação, comunicar o intuito da pesquisa e concordar com auditorias da empresa sobre a metodologia da pesquisa a qualquer momento, sem aviso prévio”, escrevem Marco Zenone, da Universidade de British Columbia, no Canadá, e Nora Kenworthy, da Universidade de Washington Botell, nos Estados Unidos.

Os autores citam as redes como um determinante comercial da saúde — termo que descreve empresas que afetam o bem-estar da população — e defendem que elas sejam reguladas como outros determinantes, a exemplo de álcool e cigarro.

A reportagem solicitou entrevistas aos gigantes TikTok e Meta, mas ambos responderam por meio de notas. Eles afirmaram que suas diretrizes proíbem desinformação que possa causar danos, como a promoção de tratamentos não comprovados ou a divulgação de informações falsas sobre transmissão de doenças — e disseram fazer isso por meio de equipes humanas.

O TikTok também informa que realiza uma busca ativa de conteúdos que violam suas diretrizes e, só no segundo trimestre de 2025, quase 190 milhões deles foram removidos (não necessariamente sobre saúde).

Ainda é pouco, considerando que 66 mil vídeos são publicados por minuto no mundo, de acordo com dados divulgados pelo diretor de operações da plataforma à imprensa nacional.

São mais de 8,5 bilhões de vídeos por trimestre. E, em diversos estudos, a porcentagem de conteúdos falsos sobre saúde ultrapassa os 50%. Uma conta que não fecha. 

Entre jalecos, promessas fáceis e falsas curas, a desinformação médica virou espetáculo nas redes.
Entre jalecos, promessas fáceis e falsas curas, a desinformação médica virou espetáculo nas redes. (Prostock-Studio e graphicnoi/Getty Images)

O termo “desinformação” é muito ligado à política, e até por isso a discussão é complicada — basta tocar no assunto que a polarização ideológica impede qualquer diálogo. Só que, se tem uma área em que o problema é democrático, é a saúde. Não precisa ser de direita ou de esquerda para acreditar num conselho ruim.

“Inclusive, tratamentos alternativos são muito bem aceitos por pessoas de esquerda, que desconfiam dos interesses capitalistas das grandes indústrias farmacêuticas, enquanto as pessoas de direita estão questionando as instituições e o conhecimento científico tradicional”, elucida Santini.

Aqui, entra em jogo outra questão importante: muitas das mentiras online vêm de um “Dr. Tiktok”, um influenciador digital que é da área da saúde.

Nas promessas fáceis espalhadas por esses perfis, as pessoas encontram conforto, explicações detalhadas e sensação de proximidade, valores que andam em falta nos consultórios.

“As consultas, que são um ato médico da maior importância, perderam aquela relevância toda. Temos médicos cada vez mais malformados e um sistema de saúde que exige atendimentos rápidos, em minutos”, aponta o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

“Isso faz com que o paciente se sinta mal atendido e saia da consulta sem falar o que queria. Junto à falta de credibilidade, abre-se margem para que as pessoas procurem alternativas”, prossegue. E não faltam posts para oferecê-las.

Pior: não importa quão descabidas elas sejam, raramente são punidas. No máximo, a mensagem é removida da plataforma.

Em março deste ano, a Justiça obrigou que o médico Lucas Mattos removesse conteúdos que afirmavam que a mamografia causa câncer de mama— só que ele segue com seu registro como médico ativo, falando o que quiser em seu consultório.

Fora da medicina em si, ao menos, há outro exemplo com desfecho diferente, mas que também demonstra a dificuldade de responsabilização.

Em 2024, o ex-dentista Marco Botelho foi preso em flagrante por exercício ilegal da medicina e teve seu registro profissional cassado por vender tratamentos à base de testosterona, inclusive contra o câncer.

Mas ele foi solto, e até hoje vende cursos e promove “terapias hormonais” para mulheres, mesmo após ser indiciado pela Polícia Civil de São Paulo em junho de 2025.

Milhares de “Botelhos” e “Mattos” seguem ganhando autoridade online, falando com astúcia para uma multidão cada vez maior de vulnerável.

“Se você está cansado, é muito sedutor ouvir que o problema é um determinado micronutriente ou um hormônio em falta, algo que podemos repor e isso vai resolver o problema.

Mas o que deveria ser foco da discussão é sono, alimentação, sedentarismo e saúde mental”, afirma a endocrinologista Gabriela Teló, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

A médica denuncia a “cultura do atalho”, que oferece soluções rápidas em vez de insistir numa mudança completa de estilo de vida. Além da facilidade, há a emoção.

“Os conteúdos usam muitas imagens de antes e depois, relatos de pessoas que estavam doentes e foram curadas. Isso ressoa bastante”, observa Recuero. Depois da atenção, a esperança é a commodity mais valiosa desse mercado.

As redes que se cuidem

A China anunciou que irá restringir a produção de conteúdos sobre saúde na web a quem realmente é profissional da área. A decisão foi celebrada mundo afora, mas, como vimos, a questão é que muitos deles também espalham mentiras impunemente.

O desafio é complexo e estrutural, exigindo diversas mudanças a serem adotadas em conjunto. Uma delas é olhar para a formação em saúde, que hoje enfrenta uma explosão de cursos de baixa qualidade, que mal olham para os dilemas digitais. O profissional, afinal, também é um cidadão capturado pelas redes.

“Eu brinco que tem o picareta doloso, aquele que tem intenção de enganar, e o culposo, que é vítima de coisas que o doloso falou”, comenta Bacchi.

Também é preciso falar de regulação. Não adianta colocar moderadores para caçar conteúdos se a própria plataforma faz com que eles se proliferem como um vírus fora de controle. Mas esse é outro debate perdido pela polarização — criticar as plataformas virou ser contra a “liberdade de expressão”.

Nesse abominável mundo novo, o profissional que se preocupa com o tema e está respaldado em ética e ciência pode colocar a dieta informativa como tema de consulta, junto de outros hábitos, e até considerar atacar de influencer — ou melhor, de educador digital.

“Claro, cada um tem seus talentos, mas acho que o profissional tem responsabilidade de divulgar seu conhecimento”, diz Drauzio Varella, médico que enfrentou resistência da categoria ao ir para a TV e segue na luta contra a desinformação online. Será preciso se reinventar — enquanto as redes não se reinventam — pelo bem dos pacientes e da sociedade. 

Quando a desinformação vira golpe

Para além de profissionais de saúde vendendo os próprios protocolos ou fazendo afirmações infundadas, esquemas criminosos operam nas redes sociais tendo a saúde como arma.

São anúncios fraudulentos que vendem supostos tratamentos, inclusive usando imagens alteradas ou geradas por inteligência artificial.

Recentemente, ganhou notoriedade nacional o caso do médico Drauzio Varella, que é “protagonista” de mais de 20% dos anúncios enganosos pesquisados pela equipe do Netlab.

Propagandas falsas são geradas com facilidade por IA e rendem um belo “trocado” para as redes. Segundo documentos vazados no fim de 2025, a Meta, dona do Instagram e do Facebook, faturou 16 bilhões de dólares em 2024 com eles.

E engana-se quem pensa que isso não tem nada a ver com os “doutores” da internet. “Os influenciadores são peça-chave dessa indústria”, afirma a professora Marie Santini. 

Detector de picaretas

Sinais que devem deixá-lo com a pulga atrás da orelha:

Picaretas prometem curas simples para problemas complexos — e sempre vendem a solução.
Picaretas prometem curas simples para problemas complexos — e sempre vendem a solução. (Prostock-Studio e graphicnoi/Getty Images)

1.“Meu protocolo” 

O termo dá um verniz científico ao discurso, mas protocolos não são individuais, e sim uma construção coletiva.

2. Integrativo

Especialidade médica que não é reconhecida pelas autoridades e costuma vir acompanhada de pseudociências. 

3. Venda casada

Médicos não podem vender remédios dentro do consultório, pois isso configura um claro conflito de interesses. 

4. Infalível

Quando a esmola é grande, o santo desconfia. Nenhum tratamento é 100% garantido ou isento de riscos. Atenção!

5. High ticket

Alguns profissionais ostentam carros e viagens nas redes e cobram muito caro em tratamentos que não valem nada.

6. Anti-establishment

Pé atrás com o sujeito que posa de herói contra o “malvado” sistema e quer te contar “a verdade” que só ele sabe. 

7. Discurso técnico

Nomes complicados, supostos estudos e títulos inventados dão uma aparência científica à picaretagem.

As principais mentiras sobre saúde nas redes sociais

Atribuir problemas de saúde a parasitas é um atalho para o erro diagnóstico.
Parasitas podem causar anemia, mas não há provas de ligação com depressão ou diabetes. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Vermes causam cansaço, depressão e até diabetes”

Acompanhada de frases de efeito como “O que os médicos escondem de você”, a alegação de que vermes causam uma miríade de problemas surge já com a cura, um protocolo de “desparasitação”, muitas vezes vendido pelo próprio influenciador.

O fato é que alguns parasitas até provocam anemia (que tem a fadiga como sintoma), dificuldade de absorção de nutrientes, dor abdominal e diarreia. Mas não há provas da ligação entre depressão ou diabetes a verminoses.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é uma doença crônica e recorrente causada por fatores genéticos, comportamentais e ambientais.

Na dúvida frente à sensação de baixa energia constante, procure um médico para apurar as causas, sem recorrer a remédios, chás ou outras táticas por conta própria.

“Só um especialista pode fazer um diagnóstico correto e propor o tratamento adequado”, aconselha o médico Áureo Delgado, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Inflamação crônica está ligada ao estilo de vida — não a um ingrediente isolado.
Inflamação crônica está ligada ao estilo de vida — não a um ingrediente isolado. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Este alimento está te inflamando”

A história que contam nas redes sociais é a de que ingredientes como glúten, leite e açúcar provocariam uma “inflamação” silenciosa por trás de doenças.

O quadro até existe, e é chamado, tecnicamente, de inflamação crônica de baixo grau ou subclínica. Mas a verdade é que um alimento isolado não é capaz de deflagrá-lo. O problema é o estilo de vida — com consumo exagerado de ultraprocessados, gorduras trans e açúcar.

“Uma dieta com esse padrão está associada a níveis mais altos de marcadores inflamatórios”, explica a nutricionista Lara Natacci, doutora em educação e saúde pela USP. Estresse crônico, privação de sono, sedentarismo, tabagismo, excesso de gordura corporal também conspiram a favor dessa situação — não um elemento isolado. Então pode trazer o leite e o glúten de volta à mesa.

Porém, se ao comer glúten ou ingerir lactose você tem distensão abdominal, muitos gases ou diarreia, procure um médico para investigar condições específicas, como doença celíaca, alergia ao glúten ou intolerância à lactose.

O exame usa baixa radiação e salva vidas ao detectar o câncer precocemente.
O exame usa baixa radiação e salva vidas ao detectar o câncer precocemente. (Estúdio Coral/Veja Saúde)

Afirmação sem respaldo científico. A dose de radiação do exame é muito baixa para causar um tumor, e seu efeito é justamente o contrário: jogar luz em lesões que podem custar uma vida. Segundo dados da OMS, se 70% do público-alvo se submetesse à mamografia, a mortalidade por câncer de mama cairia 35%.

Falamos do tumor mais prevalente entre mulheres no Brasil, com mais de 20 mil óbitos ao ano. “Me permito chamar essa mentira de criminosa”, afirma o médico Gregory Medeiros, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Não podemos perder mulheres pela desinformação.”

No país, menos de 24% das mulheres na faixa recomendada realizam mamografia, conforme levantamento do Instituto Natura em parceria com o Movimento Todos Juntos contra o Câncer.

Em setembro, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes e passou a recomendar o exame a partir dos 40 anos, mesmo sem sinais ou sintomas. Para quem tem histórico familiar da doença, a indicação pode ser antecipada. Aliás, uma boa notícia em meio ao caos: um médico foi condenado pela Justiça brasileira por espalhar absurdos sobre a mamografia.

Dietas extremas ignoram evidências e podem sobrecarregar coração, rins e fígado
Dietas extremas ignoram evidências e podem sobrecarregar coração, rins e fígado. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Devemos comer como nossos antepassados”

Dietas carnívora, paleolítica ou da selva receitam doses maciças de proteína e gordura e condenam alimentos como leite e grãos, considerados “inflamatórios”.

Os mais radicais deixam até a salada de fora. Mas a expectativa de vida dos humanos que viviam como caçadores e coletores não passava dos 40 anos.

Altas doses de proteína podem sobrecarregar o fígado e os rins e elevam o risco cardiovascular. Sobre a gordura saturada da carne e da manteiga, nem deveria ser preciso falar: pode prejudicar o coração.

“Todas as populações do mundo passaram a consumir grãos, leguminosas, leite e derivados depois do desenvolvimento da agricultura”, expõe a nutricionista Lara Natacci.

Isso tem mais de 12 mil anos! Aliás, estudos revelam que os vegetais já faziam parte do cardápio mesmo no tempo das cavernas. O consenso científico é que uma alimentação saudável inclui todos os grupos nutricionais, privilegiando grãos, frutas, legumes e verduras.

Reposição hormonal sem critério pode causar efeitos graves e não serve para tudo
Reposição hormonal sem critério pode causar efeitos graves e não serve para tudo. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Seu problema é falta de hormônio”

De repente, testosterona e companhia viraram a solução para tudo. Não caia nessa: protocolos hormonais, anabolizantes e implantes como o “chip da beleza” podem causar problemas de saúde graves — e até levar à morte.

É claro que hormônios são vitais para o bom funcionamento do corpo, e alterações podem bagunçar a vida, como a menopausa comprova. Mas repô-los requer cuidado e orientação médica individual.

No caso da testosterona em mulheres — um assunto em alta —, a indicação é restrita. Nem adianta apelar para exames. “Nas pacientes em geral, o esperado é que o resultado aponte mesmo níveis baixos”, esclarece a ginecologista Halana Faria, mestre em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP).

“A reposição tem um uso muito específico, para mulheres na pós-menopausa com desejo sexual hipoativo, quando há baixa libido não desencadeada por outros fatores.” Tomar testosterona não é inócuo: pode elevar o risco de infarto e câncer. Os benefícios aparentes no curto prazo não compensam a crise depois.

Exames em excesso não significam mais saúde e podem levar a erros e tratamentos desnecessários.
Exames em excesso não significam mais saúde e podem levar a erros e tratamentos desnecessários. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Você precisa fazer muitos exames” 

Até existem check-ups recomendados, mas há profissionais que pedem uma longa lista de dosagens de micronutrientes e metais pesados que não são referendados por nenhuma sociedade médica.

“A ideia de sair medindo tudo e depois corrigindo o que esteja fora de uma faixa normal com suplementos não tem respaldo na medicina baseada em evidências”, alerta a endocrinologista Gabriela Teló, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Qualquer exame só é prescrito após uma avaliação médica — ou se o indivíduo chegou à faixa etária recomendada para rastreio de câncer e outras doenças.

“Um dos riscos da ‘tabela periódica’ de testes é até de interpretação. Muitas vezes, a literatura médica nem estabelece o que fazer”, diz o médico Gregory Medeiros, chefe do Centro de Terapia Intensiva do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

E repare só: por trás dessa lista de exames, sempre aparece uma venda casada de suplemento ou terapia.

Teorias conspiratórias ignoram que medicamentos só são liberados após estudos rigorosos.
Teorias conspiratórias ignoram que medicamentos só são liberados após estudos rigorosos. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “A indústria farmacêutica não quer que você saiba”

A teoria da conspiração é um clássico nos perfis picaretas. E a big pharma é um dos alvos favoritos. “Não compre remédios!“. Ervas, chás e suplementos são apresentados como soluções que, se viessem à tona, levariam as farmacêuticas à falência,

Junto da promessa de cura barata e infalível, é plantada uma desconfiança: a ideia de que os laboratórios querem te viciar em medicações.

“Como qualquer indústria, a farmacêutica visa, sim, ao lucro. Mas ela não faz o que quer, é bastante regulada, tendo de atuar dentro de preceitos éticos e documentados”, diz César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

“As medicações só são liberadas para prescrição após passar por uma série de estudos e um grande crivo de avaliação.” Mesmo assim, a narrativa é sedutora.

“Ela traz uma sensação de que estão te contando uma informação privilegiada, de que você foi escolhido e foi despertado em relação ao resto da população, que é enganado”, observa André Bacchi. O engodo é que boa parte de suplementos e tratamentos alternativos também vem de… indústrias.

Vitaminas não substituem medicamentos e só devem ser usadas com indicação médica.
Vitaminas e suplementos alimentares não substituem medicamentos e só devem ser usadas com indicação médica. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Suplementos tratam doenças”

Vitaminas são as queridinhas do mercado wellness. Mas elas têm benefícios limitados em pessoas saudáveis e não previnem doenças nem funcionam como medicamento. As gomas, gotinhas e cápsulas podem parecer inofensivas, mas têm concentrações vitamínicas muito acima dos alimentos.

Quem as toma não só faz “xixi caro” como pode sofrer uma intoxicação e ficar propenso a cálculos renais e outros efeitos adversos, a depender do composto. Suplementos só devem ser tomados com prescrição médica.

“Pode ser vitamina A, C ou do complexo B: todas elas vêm da própria alimentação. Não é preciso buscá-las em suplementos”, afirma o gastroenterologista Áureo Delgado. Já a D, obtida via exposição solar, só deve ser reposta em certos públicos.

Na realidade, fortalecer a imunidade é um processo complexo que envolve várias estruturas do corpo e depende de vacinação em dia, prática de exercícios e alimentação equilibrada. O coquetel de suplementos pode te deixar doente ou te fazer gastar dinheiro à toa, na melhor das hipóteses.

Vacinas passam por testes rigorosos e salvam milhões de vidas todos os anos.
Vacinas passam por testes rigorosos e salvam milhões de vidas. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Vacinas não são confiáveis”

Mentira que ganhou força após a pandemia de covid-19. Nunca é demais repetir: as vacinas passam por diversos estudos, antes de serem disponibilizadas à população, para garantir sua eficácia e segurança.

Primeiro, elas são testadas em animais e, depois, passam por três fases de testes em humanos — cada fase inclui mais participantes, e, a partir da segunda, tece comparações entre vacinados e não vacinados.

“Fora isso, as pesquisas também estabelecem o nível de anticorpos, isto é, a resposta imunológica que a vacina provoca, para ver se a pessoa adquiriu anticorpos e a resposta imune desejada”, explica a médica Monica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Se surgirem efeitos colaterais graves, o experimento é suspenso imediatamente. Muitas vezes, as mentiras sobre vacinas vêm acompanhadas de tratamentos milagrosos ou da venda de produtos ou procedimentos. Então fique esperto! Quem cai nesse conto está sujeito a contrair as formas graves de doenças evitáveis — de pólio a sarampo. 

O corpo já faz seu próprio detox — fígado e rins não precisam de sucos milagrosos.
O corpo já faz seu próprio detox no fígado e nos rins. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Você tem de se desintoxicar, e eu tenho a solução”

Vídeos de pessoas famosas e até de amigos recomendando sucos detox e shots da imunidade inundam as redes sociais, com a promessa de limpar o corpo e eliminar substâncias que fariam mal ao organismo.

Mas… “Não existe nenhuma evidência de que suco, chá, shot ou dietas extremas possam eliminar toxinas”, esclarece Natacci, também diretora da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban).

Não bastasse isso, as dietas detox também apresentam riscos à saúde, já que restrições em nutrientes essenciais e calorias podem levar à perda de massa magra, desequilíbrio eletrolítico (alterações nos níveis de minerais) e fadiga.

Tem mais: o corpo já faz seu próprio detox — fígado e rins cuidam desse processo sozinhos muito bem, obrigado. E algumas toxinas são eliminadas ainda pelo intestino e pela pele.

Natacci dá a letra: “O que realmente ajuda o fígado e os rins a trabalhar direito é uma alimentação equilibrada, hidratação adequada, sono de qualidade, atividade física e, se possível, evitar o consumo de álcool”.

Na dose correta, o flúor é seguro e reduz cáries — o risco está apenas no excesso.
Na dose correta, o flúor é seguro e reduz cáries — o risco está apenas no excesso. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Flúor na água faz mal”

Falta só uma palavra para transformar a mentira acima em verdade: “Excesso”. Flúor demais faz mal mesmo, e pode causar fluorose dentária (manchas brancas nos dentes) ou esquelética (enfraquecimento ósseo).

Mas, na quantidade preconizada pela OMS e adotada no Brasil desde os anos 1970, é uma política de saúde pública que deu muito, muito certo.

“Nos últimos 25 anos, foram publicadas sete revisões, e todas confirmam que a fluoretação é segura e tem poder preventivo contra cárie de 15 a 40%, a depender do tipo de dentição e do grupo etário”, explica o cirurgião-dentista Paulo Frazão, professor da USP.

No meio ambiente, a água contém fluoreto — assim como o ar, o solo, certos vegetais e animais. “A ideia de uma água pura sem fluoreto é artificial, incompatível com a natureza como a conhecemos, e serve para atender interesses comerciais. Água própria para a saúde é água com quantidade equilibrada de sais minerais, incluindo o flúor”, ressalta Frazão.

Nos Estados Unidos, a mentira pegou e já há estados banindo o uso do flúor na água. Haverá consequências…

Ricas em fibras e antioxidantes, frutas estão associadas à redução de doenças, não ao ganho de peso.
Ricas em fibras e antioxidantes, frutas estão associadas à redução de doenças, não ao ganho de peso. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Frutas engordam e podem fazer mal”

Uma das mentiras mais chocantes, que se contrapõe a todo o senso comum e científico estabelecido até hoje. O discurso predomina em conteúdos do mundo fitness sobre eliminar completamente o açúcar da dieta. O grande vilão seria a frutose, o açúcar natural das frutas, que impediria o emagrecimento.

“É uma confusão que se faz entre o efeito da frutose concentrada do xarope de milho, rico em frutose, e o efeito da fruta em si”, expõe Natacci. “Mas a fruta vem com fibras, vitaminas e outros compostos com efeito antioxidante e anti-inflamatório”, emenda a colunista de VEJA SAÚDE.

Ou seja, não dá para cortá-las da dieta. Grandes estudos científicos mostram que o consumo regular de frutas está associado à redução de doenças crônicas e de mortalidade e a um melhor controle metabólico.

O problema não são nem de longe as frutas, mas o excesso de açúcar adicionado a outros alimentos, principalmente a bebidas industrializadas.

Não há evidência de que infusões vitamínicas melhorem saúde — e elas podem causar intoxicação.
Não há evidência de que infusões vitamínicas melhorem saúde. (Estúdio Coral/Veja Saúde)
  • “Tome soroterapia e vitaminas injetáveis”

Injetar no sangue uma dose de micronutrientes e outros compostos para ter mais saúde: parece coisa de ficção científica, mas é o que muita gente anda comprando por aí.

Para variar, não há sustentação científica nessa fórmula. “Não tem nenhuma evidência de que a infusão de vitaminas melhore imunidade, energia ou performance em comparação a uma alimentação adequada, ou mesmo à suplementação oral específica, quando necessária”, afirma Natacci.

Quando a pessoa tem uma deficiência pontual, a reposição pode até ajudar. Mas, quando não é o caso, os efeitos dessas injeções podem variar entre o organismo simplesmente eliminar o excesso de substâncias ou as vitaminas começarem a se acumular.

Aí começam os problemas dessa prática, já que o depósito pode ser tóxico e afetar o funcionamento de órgãos como rins e fígado.

“Além disso, aplicar qualquer substância na veia pode envolver riscos como flebite, infecção, reações alérgicas e sobrecargas de fluidos”, alerta Natacci. É assim que as pessoas se envenenam — das redes ao consultório.

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