Endometriose e fertilidade: o papel do conge…

A endometriose é um dos distúrbios ginecológicos mais comuns, afetando cerca de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Trata-se de uma condição inflamatória crônica que pode levar à infertilidade e dor pélvica persistente.

Seus efeitos variam durante as diferentes fases da vida da mulher, abrangendo aspectos físicos, reprodutivos, psicológicos e sociais, que impactam diretamente na qualidade de vida.

Mulheres com endometriose frequentemente demoram mais tempo para engravidar, e a prevalência da doença é maior entre mulheres inférteis, variando de 25% a 50%. As taxas de fecundabilidade (probabilidade de engravidar em um ciclo menstrual sem métodos contraceptivos) diminuem ainda mais conforme a doença progride.

Apesar de não ser completamente compreendida, a infertilidade relacionada à endometriose provavelmente envolve processos mecânicos, inflamatórios, hormonais, genéticos e ambientais que dificultam cada etapa da fisiologia reprodutiva normal, desde a formação dos óvulos até a implantação do embrião.

Tratando-se de uma doença progressiva, que pode interferir cada vez mais na fertilidade com o tempo, atualmente existe uma técnica bem estabelecida que oferece uma excelente alternativa para preservar a fertilidade: a criopreservação de oócitos, ou congelamento de óvulos.

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A criopreservação de oócitos deixou de ser considerada uma técnica experimental em 2013, em documento conjunto da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da Society for Assisted Reproductive Technology (SART).

O processo da criopreservação de óvulos se inicia com uma consulta com um médico especialista em infertilidade, que irá solicitar exames de sangue e imagem para avaliar a reserva ovariana e, com isso, definir a quantidade e o tipo de medicamentos necessários.

Em seguida, faz-se o estímulo ovariano para coletar, se possível, pelo menos doze óvulos maduros e de boa qualidade.

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Medicamentos hormonais são utilizados para estimular os ovários, e o crescimento folicular é monitorado por ultrassom transvaginal. A indução da ovulação, feita com medicamentos injetáveis, geralmente dura de 8 a 12 dias, e quando os folículos atingem cerca de 18 mm, é realizada a coleta dos óvulos por meio de aspiração.

A aspiração folicular é um procedimento minimamente invasivo, feito sob sedação. Com auxílio de ultrassom transvaginal, uma agulha guiada aspira o líquido folicular, onde estão os óvulos.

Após a identificação e classificação quanto à maturidade, os óvulos são congelados em ambiente controlado, dentro do laboratório de manipulação de gametas. A técnica utilizada atualmente é a vitrificação, que evita a formação de cristais de gelo prejudiciais aos óvulos, armazenados em tanques específicos com nitrogênio líquido a –196 °C por tempo indeterminado.

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No momento oportuno definido pela paciente, esses óvulos poderão ser utilizados.

Antes disso, será necessário realizar o preparo do endométrio (camada que reveste o útero). Quando o endométrio estiver receptivo, os óvulos serão descongelados e inseminados pela técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

Os embriões permanecem em cultivo entre 3 e 5 dias, período em que ocorre o desenvolvimento embrionário, e então são transferidos para o útero. Os embriões excedentes poderão ser congelados e armazenados para uso futuro.

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Recomendo às pacientes com endometriose que desejam congelar seus óvulos que procurem centros de reprodução humana com excelência comprovada e vasta experiência nas técnicas da medicina reprodutiva.

*Luiz Eduardo T. Albuquerque é ginecologista especialista em reprodução assistida, diretor médico do Centro de Reprodução Humana Fertivitro e membro da Brazil Health

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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