O que é a pré-eclâmpsia e por que ela preocu…
A pré-eclâmpsia é uma condição marcada pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez.
Ela pode comprometer a saúde da mãe e do bebê e representa a principal causa de mortalidade materna em países em desenvolvimento. A seguir, entenda como o problema acontece:
A pressão nas alturas
A pré-eclâmpsia é uma das principais preocupações no acompanhamento pré-natal das mulheres. Ela se caracteriza pela subida da pressão arterial, em geral a partir da 20ª semana de gestação, que passa a ficar acima de 140 por 90 mmHg (o 14 por 9).
O quadro afeta a saúde da mãe, gerando abalos nos rins, fígado e coração, assim como do bebê, prejudicando seu desenvolvimento.
Danos nos vasos
Embora não se saiba exatamente a causa, a hipótese é a de que tudo começa com um déficit de irrigação na placenta, responsável pela oxigenação e suprimento de nutrientes do bebê.
A disfunção faz com que células placentárias chamadas trofoblastos produzam substâncias inflamatórias que, ao cair na corrente sanguínea, lesam o endotélio, a camada interna dos vasos, elevando a pressão.

Os reflexos na mulher
A condição pode até nem dar nenhum sinal, mas em geral a elevação da pressão provoca manifestações como inchaço, sobretudo de mãos, pernas, pés e rosto.
Falta de ar e proteinúria (perda de proteína pela urina) também são características.
Nos casos mais severos, a pressão ultrapassa os 16 por 8, desencadeando dor de cabeça intensa e persistente, confusão mental e alterações visuais.

Impacto no bebê
Ao afetar a circulação sanguínea, a pré-eclâmpsia pode levar à ruptura de artérias que irrigam a placenta, propiciando seu descolamento precoce — ou seja, o órgão pode se soltar em parte ou completamente do útero, interrompendo a oxigenação e o aporte de nutrientes ao bebê.
Por isso, sofrimento fetal, nascimento prematuro e baixo peso são as principais consequências para a criança.
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Fatores de risco para a pré-eclâmpsia
A condição afeta até 7% das gestantes e algumas situações favorecem seu aparecimento. São eles:
Primeira gestação
A atenção aos níveis de pressão deve ser redobrada quando a mulher engravida pela primeira vez.
Caso prévio
É preciso monitorar de perto aquelas que já tiveram pré-eclâmpsia em gestação anterior.
Histórico familiar
Como há evidências de predisposição genética, ter casos na família aumenta as chances do problema.
Gravidez gemelar
Estudos mostram que em gestação múltipla, com uma ou duas placentas, o quadro é mais frequente.
Idade materna
A incidência aumenta para quem engravida nos extremos etários, antes dos 18 ou depois dos 40 anos.
Como se trata
Como profilaxia, o Ministério da Saúde recentemente passou a recomendar a suplementação de cálcio a todas as gestantes, porque o déficit do mineral aumenta o risco de hipertensão.
Com a pré-eclâmpsia diagnosticada, o plano inclui anti-hipertensivos e monitoramento constante da pressão. O sulfato de magnésio, administrado com a mulher internada por pelo menos 24 horas, é a estratégia para protegê-la diante da iminência de uma convulsão.
A antecipação do parto é a alternativa quando a gestação já está mais avançada, na 37ª semana, porque a retirada da placenta é a única forma de corrigir de vez o problema.
Não confunda

Fontes: Beatriz Carvalho, ginecologista e obstetra, com mestrado sobre gravidez de alto risco pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
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