ACESSA anuncia os finalistas do Prêmio Autocuidado em Saúde
Em sua quinta edição consecutiva, o Prêmio Autocuidado em Saúde ACESSA recebeu trabalhos de diferentes regiões, em mais uma amostra do esforço de equipes de todo o país em conceber projetos voltados ao letramento e à conscientização da população em benefício de sua saúde. O júri técnico escalado considerou critérios com abrangência, relevância, inovação e uso de tecnologia para dar notas às propostas. Essa pontuação definiu os três destaques em cada categoria, relacionados a seguir. Os vencedores do 5º Prêmio Autocuidado em Saúde ACESSA serão apresentados no dia 17 de novembro, em cerimônia presencial em Brasília (DF).
Soluções Digitais e Tecnologias Inovadoras
Plataforma para tratar a insônia
Problemas de sono afetam milhões de brasileiros e representam um desafio para a saúde pública, com consequências que incluem perda de produtividade e maior risco de acidentes no trabalho. De olho nesse cenário, a Galileu criou a plataforma Vigilantes, com aplicativo que se baseia em terapia cognitivo-comportamental (TCC) para propor um programa digital com sessões de 5 a 10 minutos, conduzidas por uma assistente de inteligência artificial batizada de Sônia. “A agente conversa com a pessoa e vai ensinando técnicas da TCC e de neurociência, a fim de promover mudanças de hábitos e comportamentos que afetam o sono e a saúde”, explica Lucas Baraças, idealizador da Vigilantes.
Para isso, foram digitalizados protocolos clínicos e criadas intervenções personalizadas à rotina de cada um. O sistema já analisou mais de 1 milhão de diários de sono e alcançou 48% de remissão da insônia e aumento médio de 70 minutos no tempo total de sono, evidenciando que a terapia digital pode ter resultados similares aos da abordagem convencional.
A Vigilantes incorpora ainda o rastreamento digital de apneia do sono, utilizando dados antropométricos faciais – distância entre os olhos, inclinação do queixo, tamanho do pescoço. A ferramenta mostra 90% de precisão para prever o risco dessa condição caracterizada por ruídos e interrupções na respiração que se repetem enquanto a pessoa dorme.
“O programa tem validação científica, com resultados apresentados em diversos congressos nacionais e internacionais, e demonstra impacto na melhora do sono, da ansiedade e da depressão”, complementa Baraças.
Vigilantes: terapia digital para democratizar o autocuidado em saúde do sono
Autores: Lucas Baraças Figueiredo e Laura de Siqueira Castro
Instituição: Galileu Saúde
Telemedicina para comunidades isoladas
Batizado de Kdoctor 4.0, o projeto é um sistema de telemedicina que leva atendimento a comunidades ribeirinhas e indígenas isoladas do município de Jordão, no Acre, localidade sem acesso rodoviário e, em parte, sem energia elétrica ou internet.
Composto por cabines portáteis e totens para triagem de sinais vitais, o sistema conecta pacientes a médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas por videochamada, com inteligência artificial para transcrição da consulta e tradução do idioma indígena Hãtxa Kuin.
“O Kdoctor é financiado pela empresa Foxconn utilizando verbas da Lei de Informática e tem o propósito de levar assistência médica para uma população que é a mais vulnerável do país”, observa Ricardo Moura, gerente de projetos da Fundação Paulo Feitoza (FPFtech), entidade sem fins lucrativos que executa projetos utilizando esses recursos. “Isso porque, além das dificuldades regionais, existe uma barreira cultural e linguística maior. O indígena precisa se deslocar muito até chegar a um posto de saúde. Em função dessa dificuldade, ele só busca atendimento quando já está muito doente”, justifica.
“A Foxconn desenvolveu as máquinas, que realizam triagem automatizada ao medir pressão arterial, altura, temperatura, peso, concentração de oxigênio no sangue e outros parâmetros vitais”, explica o médico Cesar Pedigone, do Instituto Flor da Floresta, responsável pela validação do sistema.
Os dados colhidos são salvos em um sistema de prontuários, que podem ser acessados em qualquer local por meio de aplicativo de smartphone. A solução foi concebida para funcionar sem depender de rede elétrica ou de internet preexistente, tornando o modelo replicável para outras comunidades isoladas. “As cabines são alimentadas por energia solar e contam com uma internet própria via satélite”, explica Cesar Pedigone.
O plano de ação desenhado prevê atendimentos semanais, reduzindo deslocamentos fluviais e o tempo de espera por diagnóstico. “Jordão é um dos municípios mais isolados do Brasil. Não tem estrada ligando à capital do estado, Rio Branco. São dois dias de barco para ser alcançado e em épocas de seca pode levar até quatro dias”, contextualiza o médico.
A instalação de quatro cabines nos pontos mais extremos da localidade foi iniciada em maio de 2026, gerando cerca de 200 atendimentos até meados de setembro. Como recurso pedagógico, o projeto promove alfabetização digital nas comunidades atendidas, capacitando moradores para operar o totem e preparar o paciente, formando agentes comunitários de saúde digital e fortalecendo a autonomia das comunidades.
Kdoctor 4.0 – telemedicina para comunidades indígenas e ribeirinhas da amazônia
Autores: Cesar Pedigone, Luis Braga e Luis Eduardo Bulisani
Instituições: Fundação Paulo Feitoza (FPFtech), Foxconn e Instituto Flor da Floresta
Roupas inteligentes para acompanhamento remoto
Monitoramento contínuo de pacientes por meio de roupas com sensores integrados ao tecido – o projeto-piloto desenvolvido pela Oncoclothes promete superar as limitações dos dispositivos vestíveis tradicionais, muitas vezes desconfortáveis, invasivos e que, por essas razões, podem dificultar a adesão de idosos e pessoas com câncer ou doenças crônicas.
“Como sou paciente oncológica desde 2015, criei a Oncoclothes, uma marca de roupas adaptadas para facilitar o acesso dos enfermeiros a cateteres, dando mais praticidade e conforto a quem está se tratando”, conta Samantha Leal, à frente da iniciativa. “O projeto evoluiu para a criação de roupas com sensores acoplados, que leem temperatura, oxigenação, batimento cardíaco”, continua.
Os dados coletados são enviados para um aplicativo próprio que também gerencia o histórico médico, exames e medicamentos usados pela pessoa. “O sistema gera alertas, por exemplo de batimentos acelerados ou dosagem alterada de insulina, tanto para o paciente quanto para o médico”, descreve Samantha.
A avaliação do protótipo, que envolveu mais de 50 participantes, trouxe achados promissores em termos de conforto, usabilidade e medição de dados, mostrando capacidade de impactar inclusive instituições de saúde, ao favorecer monitoramento pós-alta e reduzir reinternações.
O trabalho propõe um novo olhar sobre o cuidado em saúde: menos invasivo, mais integrado à rotina e centrado na experiência do paciente. E apresenta ainda potencial para apoiar pesquisa clínica, geração de dados e desenvolvimento de novos modelos de cuidado em saúde digital, criando oportunidades futuras para integração com hospitais, programas de telemedicina e iniciativas de medicina preventiva.
Smartclothes – plataforma inteligente de monitoramento contínuo em saúdeAutora: Samantha LealInstituição: Oncoclothes
Prevenção e Promoção à Saúde
Apoio a idosos que sofreram queda
Metade dos idosos que caem não consegue se levantar em seguida, o que aumenta o risco de complicações decorrentes das quedas, principal causa de morte por lesão em pessoas com 65 anos ou mais. Daí a importância do programa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que tem como meta não apenas a prevenção, mas também o treinamento da habilidade da turma 60+ de se erguer com segurança depois de ir ao chão.
O Magic (Programa Multidimensional e Assistencial de Gestão para Idosos Caidores) oferece acompanhamento a pessoas que já sofreram esse tipo de intercorrência. “Ao todo, 120 idosos, de São Carlos e Ibaté, passaram ou estão passando pelo Magic”, diz a fisioterapeuta Lívia Maria do Nascimento, que assina o estudo. Todos os participantes realizam um programa de treinamento físico durante 16 semanas, duas vezes por semana. “Nessa que é a segunda edição da pesquisa, queremos verificar o papel da gestão de casos na prevenção, isto é, fazer a avaliação dos idosos e poder identificar quais são os fatores de risco modificáveis para quedas, como é possível intervir, modificar e tratar”, complementa.
Para isso, os voluntários passam por uma bateria de avaliações e, paralelamente às intervenções presenciais com atividades físicas, são monitorados por ligação de áudio e vídeo em que os profissionais orientam sobre os fatores de risco e fornecem educação em saúde. “Assim que terminam as 16 semanas, acontece um acompanhamento curto, após três meses, e um longo, após um ano”, detalha Livia.
A iniciativa conta também com cartilhas, kits de estimulação do cérebro e fotos e vídeos dos exercícios físicos do protocolo – que envolve trabalho de força muscular, equilíbrio e mobilidade.
“O diferencial do projeto é o treino de ir para o chão”, destaca Livia. Na técnica, chamada encadeamento reverso, o idoso começa em pé, depois executa semiflexão e, ao longo das semanas, vai progredindo até ser capaz de se deitar no chão. “Muitos têm medo, então é feita essa exposição gradual, para irem se habituando, ganhando mais confiança, mais capacidade para cumprir etapa por etapa: deitar no chão, ficar de lado, usar quatro apoios e então se levantar”, resume a fisioterapeuta.
Embora os resultados ainda sejam preliminares, com análises em andamento, há um feedback muito positivo dos participantes. “O projeto oferece benefícios não apenas para a saúde física, mas também para a mental e emocional, promovendo a participação social e a interação entre os idosos”, conclui Livia.
Prevenção de quedas e treinamento da habilidade para levantar-se do chão em pessoas idosas da comunidade: resultados preliminares de um Programa Multidisciplinar e Assistencial de Gestão de Quedas para Pessoas Idosas-MAGIC
Autores: Lívia Maria do Nascimento, Verena de Vassimon Barroso, Julia Leme, Kamilly Vitoria de Oliveira, Mayara Chiarelli Gabatore, Graziele Norberto Pereira, Ana Laura Oliveira Dias, Daiene de Moraes, Luana Flávia Talmelli-Ruy, Thalyta Cristina Leite de Souza, Rafaela Barbosa Evangelista, Claudia Aparecida dos Santos, Isabelle Vicentin Cuvide, Mariana Luiz de Melo, Letícia Teodoro Maciel, Milena Stephanie Bezerra, Vivian Sorato Pinheiro de Oliveira, Livia Conte Bolzan, Bianca Zanon Arantes, Juliana Hotta Ansai e Karina Gramani Say
Instituição: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Metodologia para autonomia de cuidados na favela
A Associação Favela Compassiva atua em territórios de vulnerabilidade social, com ações nas favelas da Rocinha, do Vidigal, Cidade de Deus e Mangueira, no Rio de Janeiro. Tendo o autocuidado como um dos pilares, o objetivo é fortalecer a autonomia das comunidades para cuidarem de pessoas com doenças que ameaçam a vida e apoiar seus familiares e cuidadores.
“Pensamos em quem está acompanhando o paciente nessa fase tão difícil e entendemos que o adoecimento desses cuidadores é social e espiritual, mais do que a dor física propriamente dita”, analisa o enfermeiro Alexandre Ernesto Silva, que lidera o programa Favela Compassiva. “Por essa razão, além de capacitar moradores leigos para dar suporte às famílias que cuidam dos seus entes queridos em casa, a gente capacita vizinhos para ajudar vizinhos”, complementa.
A estratégia central é a formação dos chamados agentes compassivos, que trabalham em conjunto com estudantes de medicina, enfermagem, fisioterapia, psicologia, serviço social, nutrição, fonoaudiologia e odontologia.
Reforçando o entendimento de que os cuidados paliativos extrapolam o atendimento clínico, os participantes recebem orientações para reconhecer sinais de agravamentos das condições, como lidar com os sintomas, organizar a rotina de cuidados, utilizar corretamente medicamentos e serviços de saúde, além de adotar medidas relacionadas ao conforto do doente. “Oferecemos treinamento desde higienização e as técnicas de transferência da cama para cadeira e da cadeira para a cama até orientações sobre quais serviços de saúde procurar como rota de apoio quando o estado do paciente se agrava”, detalha Alexandre.
Mutirões de todas as especialidades realizam visitas domiciliares mensais com foco em fortalecer a saúde física e emocional de quem cuida, reduzir a sobrecarga, aumentar a segurança e desenvolver a autonomia necessária para que a própria comunidade participe ativamente dos cuidados paliativos. A estratégia conta ainda com apoio online de psicologia e fisioterapia, sem contar que toda quinta-feira são oferecidas sessões de massagem.
“Tudo acontece em parceria com o poder público”, ressalta Alexandre. “O projeto trabalha em colaboração com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e não busca ser um serviço substitutivo das obrigações do Estado”, observa.
Entre 2025 e junho de 2026, o programa acompanhou 105 pacientes, mobilizou 35 agentes compassivos, 117 profissionais e 30 estudantes voluntários, realizando quase 900 atendimentos.
Favela Compassiva
Autor: Alexandre Ernesto Silva
Instituição: Associação Favela Compassiva
Saúde da mulher em foco
A parceria de mais de dez anos entre a farmacêutica Roche e a organização social SAS Brasil deu origem ao projeto voltado à promoção da saúde da mulher concebido sob a premissa de que não basta diagnosticar casos de câncer, é fundamental garantir o devido encaminhamento. “Não adianta chegar, fazer uma mamografia, entregar um laudo e ir embora. Assim a gente só vai entregar um problema, não uma solução”, pondera Adriana Lima, gerente Jurídico e Responsabilidade Social & Sustentabilidade da Roche. Daí a relevância dessa cooperação que permite a navegação, ou seja, o monitoramento e acompanhamento da mulher pelo sistema, a partir do diagnóstico até a entrada para tratamento no SUS.
Considerando as dimensões e os desafios regionais do Brasil, a iniciativa contemplou três estados, adotando modelos com potencial de resolver os principais gargalos do ecossistema de saúde de cada região. Os resultados obtidos de janeiro de 2025 a abril de 2026 dão uma dimensão das ações.
No Pará, priorizou-se a busca ativa, um dos diferenciais do programa. Por meio de carreta móvel, a iniciativa leva a mamografia, pela primeira vez, para mulheres que vivem em regiões com índices sociais críticos, como Benevides, Santa Bárbara e Irituia – e se mostrou capaz de quebrar tabus e medos relacionados ao exame, fazendo com que as próprias moradoras incentivassem umas às outras a participar do rastreamento. Nessas localidades, foram feitos 17 mil atendimentos, incluindo mais de 7.500 mamografias e mais de 4 mil exames de colo de útero.
Em São Paulo, por sua vez, o objetivo foi atuar como uma força-tarefa para desafogar a demanda represada e reduzir o tempo de espera nas filas por diagnóstico, com mais de 1.900 mamografias concretizadas.
Já no Rio Grande do Sul, o esforço foi adaptado em resposta a uma crise de saúde pública após as enchentes de 2024, que provocou uma queda significativa na realização de exames preventivos. No período, a realização de 650 exames de ultrassom ajudou a destravar a fila de biópsias.
Esse modelo inovador de saúde itinerante, replicável em qualquer cenário de vazios assistenciais do país, reúne expertise científica, investimento da indústria e agilidade operacional e logística do terceiro setor, criando um ecossistema de alta capilaridade.
Projeto SAS Brasil: saúde da mulher e inovação
Autoras: Adriana Lima, Jaqueline Santana, Laura Rodrigues, Adriana Mallet e Sabine Bolonhini
Instituições: Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos e SAS Brasil – Saúde Alegria e Sustentabilidade Brasil
Letramento em Saúde
Equilíbrio mental e emocional na escola
Capacitar educadores da rede pública para promover o autocuidado, reconhecer precocemente sinais de sofrimento psíquico, acolher estudantes e realizar encaminhamentos adequados – eis a proposta elaborada pelo Instituto Ame Sua Mente, que, em 2025, alcançou mais de 7.300 profissionais e impactou quase 258 mil estudantes.
“O autocuidado do educador é um módulo de abertura, porque é fundamental primeiro ter esse olhar de valorização para quem está na linha de frente, mostrando aos professores a importância de olhar não apenas para os alunos, mas para eles próprios. A partir dessa premissa, se constrói uma jornada com outros temas que fazem parte da saúde mental na escola”, diz Ana Carolina D’Agostini, psicopedagoga, consultora e especialista em saúde mental do Ame Sua Mente.
“Nós temos informações seguras, pautadas na ciência, que nos levaram a construir o programa, cujo acesso é feito através de parcerias com secretarias de Educação municipais ou estaduais”, completa Cláudia Donegá, gestora de programas sociais do instituto.
Com oito módulos, a iniciativa combina educação a distância, encontros online e recursos como e-books, podcasts e jogos educativos, além do canal gratuito Bússola, em que os professores acessam jornadas de conhecimento conduzidas por um chatbot.
“Entendemos a saúde física e mental como indissociáveis. A gente não fala somente da parte emocional, traz também questões sociais e físicas, além de técnicas de manejo simples que o professor possa autoaplicar na realidade da escola, sem sair do seu papel como educador”, destaca Ana Carolina. “Outra premissa importante é que cada um se responsabilize pela própria saúde mental, no sentido de reconhecer e entender a importância desse tema”, completa.
Ao final do programa, 88% dos participantes passaram a identificar melhor problemas de saúde mental, 85% se sentiram preparados para manejá-los e 89% relataram ganhos para seu próprio cuidado.
Ame Sua Mente na Escola
Autores: Rodrigo Bressan, Ana Carolina D’Agostini, Carolina Gaya, Gustavo Estanislau, Henrique Akiba e Rafaela Fagundes.
Instituição: Instituto Ame Sua Mente
População ribeirinha protagoniza o autocuidado
O modelo inovador criado pelo Projeto Saúde e Alegria transforma moradores, professores e agentes de saúde em protagonistas da produção e transmissão de conhecimento. A iniciativa abrange diferentes programas, entre eles o Saúde na Floresta, iniciado em 2024, no Pará, na região do rio Arapiuns, em Santarém. Expandido para Oriximiná, de comunidades quilombolas ao longo do rio Trombetas, deve se estender para Aveiro e Belterra, localidades banhadas pelo rio Tapajós.
“Educação e comunicação se entrelaçam nesse processo”, diz a educadora Marta Silva, uma das responsáveis pela condução da metodologia. Tudo acontece por meio de recursos como vídeos de pescadores falando sobre proteção solar e cartilhas em formato de fotonovelas representando situações reais vividas nas comunidades e aldeias, com atuação dos povos ribeirinhos, indígenas e quilombolas.
“Promovemos um intercâmbio de conhecimentos. A intenção não é chegar modificando o modo de vida das populações, mas, sim, qualificar as informações levando em consideração o contexto do território, conectando-as à rotina, ao bem-viver e à ancestralidade das comunidades. Fazemos, assim, uma mobilização em torno do autocuidado”, observa Marta.
O projeto trata de assuntos como saúde da criança e da mulher, utilizando oficinas, radionovelas, podcasts e jogos. A arte circense é um dos pilares entre as estratégias para estimular mudanças de comportamento. “O Gran Circo Mocorongo, que existe há quase 40 anos, é um espaço onde os temas são apresentados de forma lúdica, com esquetes que abordam, por exemplo, a importância de tratar a água, de saber identificar uma mancha suspeita no corpo ou entender como o contexto do meio ambiente interfere na saúde”, aponta Marta.
Com essa visão, a metodologia fortalece a autonomia das pessoas para compreender riscos, tomar decisões e atuar coletivamente na promoção da saúde. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, as ações alcançaram mais de 1.600 participantes, mobilizaram 225 lideranças e envolveram 17 instituições.
Educação, arte e comunicação: o modelo do Projeto Saúde e Alegria que transforma comunidades amazônicas em protagonistas do autocuidado
Autores: Adailton de Jesus Gomes Costa, Marta da Costa Silva, Marcela Pinheiro Brasil, Sonia Maria Bonici e Eugenio Scannavino Netto
Instituição: Projeto Saúde e Alegria
Aprendendo sobre envelhecer com o cérebro saudável
O Brasil vive um acelerado envelhecimento populacional e a maioria dos casos de demência ainda é diagnosticada tardiamente, em parte devido ao estigma e à desinformação. Essa realidade motivou a equipe da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) a criar o primeiro curso do país voltado à formação de profissionais da educação básica sobre autocuidado para a saúde cerebral.
Levando em consideração que, de acordo com dados da Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados com a Demência, até 45% dos casos de declínio cognitivo poderiam ser prevenidos ou retardados pelo controle de fatores de risco, os pesquisadores elaboraram o programa, que já soma mais de 6.800 inscritos. Hospedado em duas plataformas de acesso gratuito, o curso demonstrou capacidade de reduzir 25% no estigma relacionado a demências.
“Começamos com um estudo-piloto em São Carlos, para demonstrar a viabilidade de abordar o tema de envelhecimento nas escolas. Envolvemos os professores para entender suas necessidades, que incluíam lidar com o etarismo dentro das instituições e buscar formas de autocuidado para uma vida mais saudável”, conta Marcia Cominetti, professora do Departamento de Gerontologia da UFSCar. “A ideia é falar sobre envelhecimento, saúde do cérebro e como prevenir demências”, diz.
O Jogo EnvelheCiência e uma cartilha com a Turma da Mônica, feita em parceria com o Instituto Maurício de Sousa, reforçam o aprendizado sobre autocuidado cognitivo, ensinando a importância de identificar e dar o devido encaminhamento a ameaças como hipertensão, sedentarismo, perda auditiva, depressão e baixa escolaridade.
“O material produzido é distribuído aos professores, que leem junto com os alunos, que mostram para os pais, que conversam entre si, multiplicando o conhecimento”, diz Marcia.
Em resumo, uma forma acessível, lúdica e interativa para democratizar o acesso ao letramento em saúde cerebral.
O curso pode ser acessado no Portal de Cursos abertos (PoCA), da UFSCar e no AVAMEC, do Ministério da Educação.
EnvelheCiência nas escolas: letramento em saúde cerebral, autocuidado e prevenção de demências para educadores da rede pública
Autoras: Marcia Regina Cominetti, Karen Letícia Pulgatti, Lea Veras e Giulianna Denari Instituição: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)