Médico explica como usar remédio para intolerância à lactose
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Os comprimidos de lactase ajudam muitas pessoas com intolerância a lactose a consumir leite e derivados com menos desconforto. Mas o uso incorreto é comum – e pode levar tanto à persistência dos sintomas quanto a restrições alimentares desnecessárias.
A intolerância à lactose ocorre quando o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável por digerir o açúcar do leite. Como consequência, alimentos lácteos podem causar gases, estufamento, dor abdominal e diarreia.
Nos últimos anos, o uso de comprimidos de lactase se popularizou como estratégia para reduzir esses sintomas. O problema é que muita gente utiliza a medicação da forma errada ou acredita que ela resolve qualquer desconforto relacionado ao leite.
Quando o remédio para intolerância à lactose deve ser usado
A lactase deve ser tomada antes do consumo de alimentos que contenham lactose, para que a enzima esteja disponível no momento da digestão.
A dose varia conforme a quantidade de lactose ingerida e o grau de intolerância de cada pessoa. Por isso, orientação médica ou nutricional faz diferença, especialmente em pacientes com sintomas frequentes.
O objetivo do tratamento não é liberar excessos, mas permitir uma alimentação mais confortável e equilibrada.
Os erros mais comuns no uso da lactase
Um dos erros mais frequentes é tomar a enzima depois da refeição, quando o alimento já chegou ao intestino e os sintomas começaram. Outro problema comum é usar dose insuficiente e concluir que “o remédio não funciona”.
Também existe o extremo oposto: pessoas que aumentam exageradamente a quantidade de comprimidos para tentar compensar grandes excessos de lactose.
Além disso, nem todo desconforto relacionado ao leite é causado apenas pela lactose.
Nem sempre o problema é só lactose
Algumas pessoas apresentam sensibilidade à caseína, proteína do leite, situação relativamente frequente e diferente da intolerância à lactose. Nesses casos, mesmo produtos sem lactose podem continuar causando sintomas.
Também é importante diferenciar intolerância de alergia à proteína do leite, que envolve mecanismo imunológico e pode causar reações mais graves.
Por isso, persistência dos sintomas mesmo com uso correto da lactase merece investigação médica.
Restrição excessiva também pode trazer riscos
Outro ponto importante é evitar exclusões alimentares desnecessárias. Muitas pessoas retiram completamente leite e derivados sem necessidade absoluta, o que pode comprometer ingestão de cálcio e outros nutrientes importantes.
Isso merece atenção especial em crianças, adolescentes em fase de crescimento e idosos, grupos mais vulneráveis a alterações ósseas. Em alguns casos, pode ser necessária reposição de cálcio ou ajustes nutricionais para reduzir o risco de osteopenia e osteoporose ao longo do tempo.
O tratamento da intolerância à lactose não deve ser baseado apenas em evitar alimentos, mas em encontrar equilíbrio entre conforto digestivo e manutenção da saúde nutricional.
Usar a lactase corretamente, entender a verdadeira causa dos sintomas e evitar restrições exageradas são passos fundamentais para conviver melhor com a condição sem comprometer a qualidade de vida.
*Maurício Yagui Hirata é endocrinologista, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e Sírio Libanês. Membro da Endocrine Society, European Society of Endocrinology e American Association of Clinical Endocrinology.
Head Nacional de Endrocrinologia da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)