Sam Neill: o que se sabe sobre a morte do ator e o tratamento que ‘barrou’ o seu câncer
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O ator neozelandês Sam Neill morreu nesta segunda-feira (13), na Austrália, aos 78 anos. Com uma longa carreira que inclui participação em alguns dos maiores sucessos do cinema, ele havia se tornado mundialmente famoso pelo papel como o paleontólogo Alan Grant no filme “Jurassic Park” original, de 1993.
A causa da morte não foi revelada, mas foi definida como “repentina e inesperada” pela família do artista. Em anos recentes, Neill ficou conhecido por enfrentar um linfoma e conseguir entrar em remissão usando um tratamento inovador com células CAR-T. Na nota divulgada em seu perfil nas redes sociais, os familiares do ator celebraram que ele permaneceu “livre de câncer” até o final da vida.
Entenda melhor o histórico de saúde de Sam Neill e o tratamento que tornou a remissão possível em seu caso.
Qual era o câncer de Sam Neill
O ator havia recebido um diagnóstico de linfoma não Hodgkin de estágio três, um tipo de câncer de sangue de difícil tratamento, pois já identificado em fase avançada. Segundo informações divulgadas pela imprensa australiana, onde Sam Neill faleceu, ele havia descoberto a doença cerca de cinco anos atrás.
No linfoma, os tumores de desenvolvem principalmente nos gânglios linfáticos (ou linfonodos), estruturas que ajudam na proteção do nosso organismo frente a ameaças externas. De forma geral, esse câncer hematológico é dividido entre os tipos Hodgkin e não Hodgkin, e a principal diferença, além do tipo de células envolvidas, é a forma como o problema se espalha:
- No linfoma de Hodgkin, a disseminação é ordenada, de um grupo de linfonodos para o seguinte, através dos vasos linfáticos.
- Já no linfoma não Hodgkin, o mesmo de Sam Neill, essa organização aparente não ocorre.
Como funciona o tratamento com células CAR-T
As células CAR-T hoje são a grande esperança para enfrentar cânceres de sangue de difícil tratamento, que já não respondem com sucesso a abordagens mais tradicionais – caso da doença de Sam Neill, identificada em um estágio mais avançado e que não vinha reagindo positivamente à quimioterapia.
Nessa técnica, as próprias células de defesa do paciente são “reprogramadas” para enfrentar o câncer. O tratamento, extremamente personalizado, envolve a coleta de linfócitos T a partir do sangue da pessoa, passando depois por uma modificação genética que as torna capazes de reconhecer células tumorais e atuar para destruí-las. Nesse processo, elas se tornam os chamados receptores quiméricos de antígeno (ou CAR, na sigla em inglês).
Diferentes pesquisas, inclusive no Brasil, vêm demonstrando a capacidade da terapia com CAR-T em provocar remissão em cânceres hematológicos antes vistos como sem tratamento. Parece ter sido também o caso de Sam Neill que, segundo os relatos familiares, não enfrentou uma recidiva da doença nos anos entre o sucesso inicial do tratamento e a sua morte por outras razões.
Apesar de extremamente promissora, a terapia com CAR-T não é para todo mundo. Altos custos e o fato de só estar disponível em centros de referência, já que se trata de uma técnica inovadora, são barreiras de entrada que limitam o acesso o acesso para muitos pacientes. Dependendo da velocidade de progressão do câncer ou do estado geral de saúde do paciente, a pessoa pode não ser elegível, já que o desenvolvimento leva tempo e pode causar toxicidade em alguns casos.
Ela também não é infalível. Embora muitos pacientes registrem anos de remissão sem intercorrências, em outros pode haver escape de células tumorais ou “exaustão” das próprias CAR-T, que vão perdendo a efetividade com o passar do tempo. Pesquisas seguem sendo feitas para resolver as limitações atuais dessa terapia.