Alerta para o sarampo: com fim da Copa e das férias, cresce risco de retorno da doença
Subiu para 13 o número de casos de sarampo confirmados no Estado de São Paulo em 2026. A Secretaria Estadual da Saúde emitiu um alerta sobre a possibilidade de reintrodução do vírus no país, que é considerado um território livre da doença desde 2024.
O momento é propício para isso graças a uma combinação de fatores. Primeiro, as próximas semanas serão marcadas pelo retorno de viajantes que foram aos jogos da Copa do Mundo, sediados em países que enfrentam surtos recorrentes de sarampo.
Para ter ideia, mais de 22 mil infecções foram reportadas nas Américas em 2026. México, Estados Unidos, Canadá e, mais recentemente, a Guatemala, concentram 97% desses casos.
O fim das férias escolares também eleva o risco, pois há maior fluxo de deslocamento entre estados e países, além do retorno das atividades escolares intensificando o contato entre crianças e adolescentes.
“O risco de reintrodução da doença é inexorável. Pessoas com sarampo entrarão no país, e nosso dever de casa é manter as coberturas vacinais altas e uma vigilância muito atenta para identificar casos importados”, aponta o infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
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Os casos já registrados em São Paulo
Entre fevereiro e março, dois casos importados foram confirmados no estado. Mais recentemente, entre junho e julho, outros 11 registros: nove em moradores da capital paulista e dois em São Bernardo do Campo.
Os casos mais recentes envolvem bebês de até 1 ano e adultos entre os 20 e 50 anos e não apresentam histórico de deslocamento recente.
Baixa cobertura vacinal preocupa
Kfouri explica que o sarampo é uma das doenças mais transmissíveis que existem. Estima-se que um infectado possa contaminar até 18 pessoas. “Portanto, num cenário de baixa cobertura vacinal, ela é a primeira a ressurgir”, diz.
A afirmação se comprova no recrudescimento atual da doença em territórios americanos. Cerca de 85% dos casos confirmados na região ocorreram em indivíduos não vacinados ou com status vacinal desconhecido.
As coberturas brasileiras melhoraram depois de um longo período de queda, mas ainda não estão em seu ideal. A meta é que 95% das crianças estejam vacinadas com a segunda dose da tríplice viral, mas atualmente este índice está em cerca de 72%, segundo dados do Ministério da Saúde.
Embora a situação do estado de São Paulo esteja um pouco melhor (em 85% na segunda dose), ao olhar apenas para o município de São Paulo, que concentra a maioria dos casos recentes, o cenário piora.
Na capital paulista, menos da metade das crianças tomou a primeira dose, e só 44% completaram o esquema com duas picadas.
Quem deve se vacinar
A imunização é a principal forma de conter a circulação do vírus. A tríplice viral é aplicada em duas doses: aos 12 e aos 15 meses de idade. Pessoas entre os 5 e 29 anos sem histórico de vacinação conhecido também devem receber duas doses, com intervalo de 30 dias entre elas – o mesmo vale para profissionais de saúde.
“Nesse momento, estamos também recomendando excepcionalmente uma dose zero para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias residentes de Guarulhos, São Paulo e São Bernardo do Campo”, esclarece Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP).
Essa dose é considerada extra – ou seja, não interfere no esquema convencional.
O que é o sarampo e quais os sintomas
Conhecida pelo exantema (as erupções vermelhas que tomam a pele), o sarampo é uma infecção viral que pode gerar complicações graves em bebês e pessoas com comprometimento do sistema imunológico, inclusive levando à óbito.
Febre e exantema são os principais sintomas da doença, mas dias antes das erupções cutâneas surgem sinais semelhantes ao de uma gripe forte, incluindo tosse, coriza e irritação nos olhos típica da conjuntivite.
Portanto, em casos de síndrome gripal pós-viagem, a secretaria de saúde recomenda o uso de máscaras até o esclarecimento do quadro.