Cardiologista explica 6 primeiros socorros em caso de dor no peito
Ler Resumo
A dor no peito ainda é um dos sintomas mais temidos na medicina – e com razão. Em muitos casos, ela pode indicar um infarto, uma condição grave que exige ação imediata e organizada. Saber como agir nos primeiros minutos não apenas aumenta as chances de sobrevivência, como também reduz o risco de sequelas permanentes no coração.
Embora nem toda dor no peito seja de origem cardíaca, é fundamental tratar qualquer suspeita com seriedade. Isso porque o intervalo entre o início dos sintomas e o atendimento médico – conhecido como “tempo porta-balão” – é um dos principais determinantes do prognóstico.
O que fazer nos primeiros minutos diante da dor no peito
A seguir, os seis primeiros socorros recomendados por cardiologistas diante de um possível quadro de infarto:
- Mantenha a pessoa em repousoEvite qualquer esforço físico. O ideal é que a pessoa permaneça sentada, levemente inclinada, ou deitada com a cabeceira elevada, reduzindo a sobrecarga do coração e o consumo de oxigênio pelo organismo.
- Acione imediatamente o serviço de emergência (192)Não tente “esperar para ver se melhora”. Muitos infartos começam com sintomas leves e evoluem rapidamente. O atendimento precoce permite intervenções ainda na ambulância, o que pode ser decisivo.
- Afrouxe roupas apertadasGravatas, cintos ou peças justas podem aumentar o desconforto e a sensação de sufocamento. Pequenas medidas de conforto ajudam também a reduzir a ansiedade, que pode agravar o quadro.
- Observe os sintomas com atençãoDor em aperto ou pressão no peito, com irradiação para braço, mandíbula ou costas, além de suor frio, náusea, tontura e falta de ar, são sinais clássicos. Em idosos, mulheres e diabéticos, os sintomas podem ser mais discretos, o que exige ainda mais atenção.
- Não ofereça alimentos ou bebidasEvite qualquer ingestão, pois pode haver necessidade de procedimentos urgentes. Além disso, náuseas e vômitos são comuns nesses quadros, aumentando o risco de aspiração.
- Evite medicações sem orientação médicaA aspirina pode ser indicada em alguns casos por ajudar a reduzir a formação de coágulos, mas seu uso deve ser criterioso. Em pessoas com histórico de alergia, sangramentos ou dúvidas diagnósticas, a automedicação pode trazer riscos.
Erros comuns podem agravar o quadro
Um ponto crucial é nunca deixar a pessoa sozinha. O acompanhamento contínuo permite identificar rapidamente sinais de piora, como perda de consciência ou parada cardíaca, situação em que pode ser necessário iniciar manobras de reanimação.
Na prática clínica, os especialistas costumam repetir uma máxima importante: tempo é músculo. Isso significa que cada minuto de atraso no atendimento pode representar uma área maior do coração comprometida de forma irreversível.
Outro erro comum é tentar levar a pessoa ao hospital por conta própria. Sempre que possível, o transporte deve ser feito por uma equipe de emergência, preparada para intervir durante o trajeto.
Diante de qualquer dúvida, a recomendação é clara: trate como emergência. Em casos de dor no peito, agir rápido não é excesso de zelo – é uma decisão que pode salvar vidas.
*Carlos Alberto Pastore, cardiologista, doutor em cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Livre-docente pela FMUSP desde 2004. Membro da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)