Cigarro pode antecipar o infarto nas mulheres em mais de uma década

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Durante muito tempo, acreditou-se que as mulheres estariam naturalmente mais protegidas contra doenças cardiovasculares do que os homens. De fato, elas costumam sofrer infartos mais tarde. Mas existe um fator capaz de mudar completamente esse cenário: o cigarro.

O tabagismo não apenas aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) entre as mulheres, como também pode antecipar o aparecimento dessas doenças em mais de uma década. E o impacto é ainda maior entre as mais jovens.

Para se ter uma ideia, mulheres que nunca fumaram têm, em média, o primeiro infarto aos 73 anos, enquanto os homens costumam sofrer o evento por volta dos 66 anos. Entre as fumantes, porém, essa diferença praticamente desaparece: o primeiro infarto ocorre, em média, aos 60 anos nas mulheres e aos 56 nos homens.

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Antes dos 50 anos, o perigo é maior (e não há dose segura)

O risco é particularmente preocupante antes dos 50 anos. Nessa faixa etária, mulheres fumantes apresentam uma probabilidade muito maior de sofrer um infarto grave do que aquelas que não fumam.

Mesmo quem consome apenas um cigarro por dia já está exposta a um aumento significativo do risco cardiovascular. Não existe, portanto, uma quantidade segura de cigarros.

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Por que o cigarro é tão prejudicial ao coração feminino

Uma das explicações está nos efeitos do tabaco sobre o estrogênio, hormônio que exerce um papel importante na proteção dos vasos sanguíneos. Além de interferir na produção desse hormônio, as substâncias presentes na fumaça do cigarro aceleram sua eliminação pelo organismo.

Com menos estrogênio disponível, os vasos sanguíneos perdem parte de sua capacidade de dilatação, favorecendo o aumento da pressão e prejudicando a circulação.

O tabagismo também estimula processos inflamatórios, altera os níveis de colesterol e facilita a formação de coágulos. Essa combinação favorece o entupimento das artérias, podendo provocar infartos e AVCs.

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Cigarro e anticoncepcional: uma combinação de risco

Outro cuidado importante envolve as mulheres que fumam e utilizam anticoncepcionais hormonais combinados, que contêm estrogênio e progestagênio. A associação aumenta o risco de trombose e de eventos cardiovasculares, especialmente o AVC.

Para mulheres com mais de 35 anos que fumam mais de 15 cigarros por dia, esse tipo de contraceptivo é contraindicado. A escolha do método anticoncepcional deve sempre considerar os hábitos e os fatores de risco de cada paciente.

Parar de fumar protege o coração em qualquer idade

A boa notícia é que parar de fumar traz benefícios ao coração em qualquer idade. A partir da interrupção do cigarro, o organismo começa a se recuperar e o risco cardiovascular diminui progressivamente.

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Quanto mais cedo a mulher abandona o tabagismo, maior o benefício. Quem para antes dos 40 anos pode reduzir em aproximadamente 90% o excesso de risco de mortalidade associado ao cigarro.

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Mas abandonar o tabagismo nem sempre é uma tarefa simples. A dependência da nicotina envolve mecanismos físicos e comportamentais, além de poder estar associada à ansiedade e à depressão. O tratamento deve ser individualizado, levando em conta as necessidades de cada mulher.

Remédios e estratégias que ajudam a largar o cigarro

Medicamentos como a vareniclina e a bupropiona, além da reposição de nicotina, podem ajudar a controlar a abstinência e aumentar as chances de sucesso. Estudos indicam que a vareniclina pode apresentar resultados particularmente favoráveis nas mulheres.

Estratégias comportamentais também são importantes. Uma delas é restringir o ato de fumar a situações específicas, como parte de um programa estruturado de tratamento, o que pode aumentar as chances de abandonar o cigarro.

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O acompanhamento profissional é fundamental para identificar a abordagem mais adequada, especialmente quando existem sintomas de ansiedade ou depressão que também precisam de atenção.

O recado é claro que o cigarro não poupa o coração feminino, pelo contrário, pode antecipar doenças que normalmente aparecem mais tarde e comprometer a proteção cardiovascular associada aos hormônios femininos.

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes que uma mulher pode adotar para proteger o coração e viver mais e melhor.

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Ações gratuitas de prevenção para mulheres

Para ampliar a conscientização sobre esses riscos, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) promove, ao longo do ano, diversas ações gratuitas por meio do Socesp Mulher, com orientações sobre saúde cardiovascular e prevenção.

Em 28 de novembro, em Indaiatuba, no interior paulista, será realizada uma atividade que oferecerá aferição da pressão arterial, medição da glicemia, avaliação do peso, da altura, do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência abdominal, além de um questionário sobre fatores de risco cardiovascular.

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A programação também inclui palestras sobre atividade física, nutrição e tabagismo. Mulheres identificadas como de alto risco poderão realizar eletrocardiograma.

* Jaqueline Ribeiro Scholz é assessora científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), professora livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor-HCFMUSP.

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