Dia Mundial de Combate ao Câncer: Avanços na…

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 740 mil brasileiros serão diagnosticados com a doença em 2025. A expectativa é de que, num futuro próximo, o contingente de pessoas afetadas ultrapasse um milhão de novos casos por ano.

Uma notícia ainda mais preocupante é que parte importante desses pacientes terão menos de 50 anos, confirmando uma tendência identificada na última década.

A ciência ainda investiga a causa dessa mudança no cenário epidemiológico, mas suspeita-se que esteja associada à poluição e a mudanças no estilo de vida, incluindo sedentarismo, obesidade, consumo de alimentos ultraprocessados e alterações no bioma intestinal, entre outros.

Apesar desse cenário desafiador, também temos o que celebrar nesta terça-feira, 4, Dia Mundial de Combate ao Câncer. A começar pelo fato de que, no Brasil, 60% das pessoas conseguem eliminar a doença. Em países mais avançados, como os Estados Unidos, a taxa de cura chega a quase 70%.

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Um fator importante nesses resultados alentadores é o aumento na disponibilidade de exames preventivos, que detectam o câncer em estágios iniciais, onde a cura é mais frequente.

Também vimos o desenvolvimento de novos tratamentos, mais específicos que as modalidades tradicionais, incluindo a imunoterapia, as terapias celulares e os anticorpos monoclonais.

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A imunoterapia é particularmente importante para alguns tumores que antes exigiam abordagens complexas. O tratamento biológico aumenta a eficiência natural do sistema imunológico do próprio paciente, que passa a combater as células cancerígenas, da mesma forma que o faz com bactérias ou vírus.

O uso da estratégia, que teve eficácia inicialmente comprovada no tratamento de melanomas, um câncer agressivo de pele, tem se expandido cada vez mais.

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Recentemente, um estudo liderado pelo grupo do Hospital Memorial Sloan Kettering, de Nova York, mostrou que a imunoterapia foi capaz de curar indivíduos com câncer colorretal, sem necessidade de cirurgia ou radioterapia. Todos os pacientes tinham tumores com um desarranjo molecular que predispõe à formação do câncer e indicam bons alvos para a imunoterapia.

Outros estudos preliminares têm confirmado esses resultados, mudando o paradigma de terapia desses tumores. O novo tratamento é muito bem-vindo, porque assim o paciente não terá de fazer a cirurgia para a ressecção do tumor, e não corre o risco de precisar de uma bolsa de colostomia.

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Cabe ressaltar que a imunoterapia ainda não é indicada para todos os tipos de câncer e está em processo de incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) para poucas indicações. Será fundamental discutirmos como sociedade os mecanismos que poderão fazer com que esses e outros avanços terapêuticos cheguem à rede pública de maneira a beneficiar a todos os brasileiros.

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Foco na prevenção

Para se evitar o câncer, é vital evitar o descuido no acompanhamento médico.

A mulher, por exemplo, deve começar a consultar o ginecologista a partir dos 18 anos ou até antes, se já iniciou sua vida sexual. A mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos.

Para ambos os sexos, recomenda-se a colonoscopia ou o exame de sangue oculto nas fezes a partir dos 45 anos. Tão logo apareçam nódulos, alterações intestinais, sangramentos e perda de peso inexplicáveis, o ideal é procurar ajuda médica.

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Pacientes com familiares próximos que tenham tido câncer devem discutir com seus médicos quando e como iniciar os exames de rastreio.

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Com a prevenção e os avanços no arsenal terapêutico é possível que, no futuro, o câncer continue existindo, mas cada vez mais como uma doença curável, ou no mínimo controlável, tornando-se uma doença crônica.

*Paulo Hoff é médico oncologista, presidente da Oncologia D’Or, professor titular da disciplina de oncologia clínica do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro pregresso do conselho diretor da Sociedade de Clínica Oncológica Americana (ASCO).

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