Hipertensão arterial pulmonar: a doença rara e sem cura de Lígia da novela “Três Graças”

A abordagem de temas de saúde em novelas é uma oportunidade de promover a conscientização sobre condições que podem afetar qualquer pessoa.

É o caso da nova trama das nove da Globo, “Três Graças”, cuja espinha dorsal aborda a hipertensão arterial pulmonar através da personagem Lígia, interpretada pela atriz Dira Paes.

A doença rara, associada ao estreitamento das artérias nos pulmões, dificulta a circulação sanguínea. Entre os sintomas estão problemas como falta de ar, cansaço, dor no peito e desmaios, que prejudicam a qualidade de vida. Sem o tratamento e controle, o problema pode comprometer o funcionamento do coração e levar à morte.

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Qual é a doença de Lígia da novela “Três Graças”?

A hipertensão arterial pulmonar (HAP) é uma doença grave que leva ao aumento da pressão nas artérias do pulmão, que têm o papel importante de promover a oxigenação do sangue.

Pessoas com HAP apresentam um estreitamento e endurecimento dessa importante via, o que faz com que o esforço cardíaco para bombear o sangue seja ainda maior.

Ao longo do tempo, essa sobrecarga se reflete nos sintomas comuns da condição, como falta de ar, cansaço, tontura, desmaio, inchaço nas pernas, dor no peito e batimento cardíaco acelerado.

“Esses sintomas acabam por limitar atividades básicas do dia a dia. É comum o surgimento de infecções, como pneumonia, assim como internações por descompensação da função pulmonar”, afirma o médico cardiologista Thiago Midlej, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

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Como os sinais são inespecíficos, isto é, podem ser confundidos com os de outras condições de saúde, muitas vezes há um atraso na realização do diagnóstico adequado.

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“O agravo pode surgir sem causa aparente, ou seja, de forma idiopática, mas, geralmente, está associado a algumas doenças. Problemas nas valvas do coração, embolia pulmonar e condições pulmonares ligadas ao cigarro, como a doença pulmonar obstrutiva crônica e a fibrose pulmonar, são as principais causas”, resume Midlej.

O cardiologista ressalta que outras questões de saúde podem ocorrer de maneira simultânea, como cardiopatias congênitas, doenças autoimunes, doenças do fígado, casos graves de infecção por parasitas e uso de medicamentos.

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Na novela Três Graças, da Globo, a personagem Lígia, interpretada pela atriz Dira Paes, vive com hipertensão arterial pulmonar (Foto: Globo/Reprodução)

A HAP tem uma ocorrência 2 a 4 vezes maior entre mulheres em comparação aos homens, considerando especificamente mulheres em idade fértil e em idade de criação de filhos, levando a riscos significativos na gravidez, incluindo mortalidade materna de até 56% e mortalidade neonatal de até 13%. Os dados são de um estudo publicado no periódico Pulmonary Vascular Disease.

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Qual é a diferença entre hipertensão pulmonar e HAP?

Nas buscas pela doença na internet, é comum encontrar os termos “hipertensão arterial pulmonar” ou apenas “hipertensão pulmonar”. O médico Ricardo de Amorim Corrêa, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) explica a diferença.

“Hipertensão pulmonar é o tipo geral da doença relacionada ao aumento de pressão na circulação pulmonar. Ela tem cinco grupos diferentes devido ao tipo de mecanismo associado. A hipertensão arterial pulmonar cuja ação começa na própria artéria pulmonar ou nos seus ramos, corresponde ao grupo 1, que reúne a maioria das doenças em que há um tratamento com drogas específicas”, resume Corrêa.

Do grupo 2 em diante, a enfermidade recebe apenas o nome de hipertensão pulmonar, que pode ter ligação com problemas diversos, incluindo fibrose, enfisema ou embolia pulmonar, por exemplo.

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Saiba mais sobre a hipertensão arterial pulmonar e compartilhe o vídeo publicado no Instagram de Veja Saúde:

Como funciona o tratamento da HAP

A hipertensão arterial pulmonar não tem cura. Porém, existem medicamentos e terapias que melhoram os sintomas e ampliam a qualidade de vida, ajudando a reduzir a pressão nas artérias do pulmão e proteger o coração.

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“Os cuidados incluem remédios que dilatam os vasos pulmonares, anticoagulantes, oxigênio suplementar e, em casos graves, transplante de pulmão”, diz Midlej.

“Três Graças” tem como pano de fundo a falsificação de medicamentos pela fundação criada pelo vilão da novela, Santiago Ferette, interpretado por Murilo Benício. Os remédios oferecidos gratuitamente para a população não possuem efeito, o que leva à piora do quadro de Lígia e de outras pessoas da comunidade fictícia da Chacrinha, ambientada na cidade de São Paulo.

Na vida real, o tratamento é ofertado gratuitamente no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com diferentes formulações que são prescritas conforme o estado clínico do paciente. Essas medicações, por sua vez, têm eficácia comprovada na redução dos sintomas e contam com aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O manejo basicamente vai depender se o problema pulmonar é primário, ou seja, acomete inicialmente o pulmão, ou secundário a alguma outra doença que afeta, de forma paralela, o órgão. Assim, pode-se utilizar medicamentos específicos para o pulmão ou outros para tratar o problema sistêmico, como diuréticos, oxigênio, anticoagulação e reabilitação cardiopulmonar”, afirma Midlej.

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Neste ano, uma terapia inovadora para adultos com o agravo chegou à rede privada no país. Desenvolvido pela MSD, o medicamento Winrevair (sotatercepte) é administrado uma vez a cada três semanas por aplicação subcutânea. Com treinamento de um profissional de saúde, a aplicação pode ser feita por pacientes e cuidadores.

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O remédio, de uma nova classe terapêutica, atua na raiz do problema bloqueando um tipo de sinal químico chamado activina, ajudando a regular a proliferação de células vasculares associadas à HAP.

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Ao longo do tempo, o tratamento ajuda a tornar as paredes arteriais mais finas e elásticas, melhorando o fluxo de sangue na região. Nesse sentido, promove também o aumento da capacidade de exercícios e locomoção dos pacientes, trazendo benefícios para a qualidade de vida.

Além da utilização de remédios, medidas complementares são importantes para o controle da doença.

“A atividade física, em geral acompanhada por profissionais experientes, pode aumentar a sobrevida dos pacientes. Alimentos com pouco sódio e menor quantidade de líquidos pode ser associados à prescrição do paciente com essa patologia”, resume Guimarães.

Em suma, há uma saída para Lígia de “Três Graças”, desde que alguém ajude a desmascarar o esquema criminoso para que ela possa, enfim, encontrar o tratamento adequado.

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