“Vape face”: como o cigarro eletrônico ajuda…

Não é só a saúde dos adeptos do cigarro eletrônico que é prejudicada: sua aparência também pode sofrer as consequências desse hábito.

O costume de usar o dispositivo é capaz de provocar diversos danos à pele, desencadeando problemas em curto e longo prazo. O risco é tão sério que o quadro já ganhou até mesmo um apelido: vape face, ou “rosto de vape”, em livre tradução. E levou a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) a emitir um alerta sobre o assunto.

O mecanismo que gera esses prejuízos é o mesmo que ocorre com o cigarro convencional.

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“Após o fumo, acontece uma vasoconstrição de até uma hora, fazendo com que menos oxigênio chegue aos tecidos, diminuindo a atividade celular e resultando no envelhecimento”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica.

“Isso também prejudica o processo de regeneração da pele e faz com que ela fique opaca, amarelada e desidratada”, acrescenta a dermatologista Claudia Marçal, membro da SBD e da Academia Americana de Dermatologia.

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Apesar de os prejuízos provocados pelos cigarros eletrônicos e os convencionais serem similares, no caso dos vapes o risco é agravado porque costumam ter uma quantidade superior de nicotina, o maior inimigo da pele nesse caso.

“Sem falar que, como não são legalizados no Brasil, não há uma fiscalização e, por isso, não sabemos exatamente sua composição, o que coloca o corpo todo, inclusive a pele, em um risco muito maior”, alerta Beatriz Lassance.

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Divulgada em novembro de 2024, uma pesquisa promovida pelo Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e o Laboratório de Toxicologia da Rede Premium de Equipamentos Multiusuários da Faculdade de Medicina da USP, constatou índices alarmantes de nicotina no organismo de quem usa cigarro eletrônico diariamente e de forma intensa. 

Nesses indivíduos, os níveis superaram em até seis vezes o valor médio encontrado em fumantes de 20 cigarros/dia (média de 400 ng/ml).

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O mesmo estudo revela que, enquanto um fumante de cigarro tradicional costuma dar cerca de 200 tragadas por dia, os usuários de cigarro eletrônico com consumo elevado podem chegar a dar mais de 1.500 tragadas diariamente.

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Danos em série

As substâncias presentes nos dois tipos de cigarro, em especial a nicotina, reduzem a produção de colágeno e elastina, as fibras de sustentação da pele, o que tende a fazer com que ela fique mais flácida e com mais rugas.

Além disso, os movimentos realizados pelo rosto para fumar colaboram para o aparecimento das rugas, pois formam sulcos ao redor da boca e abaixo do nariz. 

O hábito também aumenta a produção de radicais livres, outro fator que acelera o envelhecimento cutâneo e de diversos outros órgãos.

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“Tudo isso ainda diminui a espessura da pele; leva ao envelhecimento da pálpebra inferior, favorecendo a formação de bolsas; desencadeia uma tendência à hiperpigmentação, aumentando o risco do surgimento de manchas e piora das já existentes”, lembra a dermatologista Barbara Miguel, do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Outro aspecto prejudicado é a capacidade de cicatrização. “O que temos visto nos consultórios e nos congressos é a maior incidência de complicações cirúrgicas em pacientes usuários de vape pelos problemas de cicatrização provocados pela diminuição da oxigenação de tecidos e do aumento da inflamação”, explica Lassance, que também faz parte do Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida, nos Estados Unidos, e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

Para piorar, fumar pode agravar doenças autoimunes, alérgicas e inflamatórias, complicando quadros como acne, rosácea e psoríase.

“Ele ainda aumenta a possibilidade do aparecimento de carcinoma espinocelular, um tipo de câncer de pele”, alerta Marçal. Os fios de cabelo tendem a perder força e afinar, tornando-se mais propensos à queda, e as unhas podem ficar amareladas e quebradiças. 

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Muitos especialistas consideram, inclusive, que os efeitos danosos do cigarro são mais intensos do que os provocados pelo sol, já que as substâncias ficam presentes na circulação, atingindo o organismo inteiro e todas as estruturas da pele.

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Os raios ultravioleta, por sua vez, incidem de fora para dentro e permanecem em contato com os tecidos do corpo por menos tempo.

A única forma de evitar todos esses problemas é parar de fumar. “Embora existam tratamentos estéticos que possam melhorar a aparência da pele, nenhum é capaz de neutralizar completamente os efeitos do cigarro ou do vape”, afirma Barbara Miguel, do Einstein.

Fonte: Agência Einstein 

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