“Viver em um mundo neurotípico é difícil”, diz mulher que descobriu autismo aos 42 anos

O que é ser normal? Ser capaz de estudar em salas barulhentas e lotadas, tornando-se insensível aos estímulos? Ou, então, não ter interesses especiais e conhecer superficialmente um pouco de tudo?

Como a jornalista sueca Clara Törnvall aponta com perspicácia, ser “normal” (ou neurotípico) não necessariamente é ser melhor ou especial.

Diagnosticada dentro do espectro autista aos 42 anos de idade, a comunicadora questiona o que são limitações e virtudes nesse mundo concebido sem considerar a neurodiversidade.

“Todo mundo tem pontos fortes e fracos. Mas os autistas têm pontos fortes e fracos diferentes dos neurotípicos”, escreve em seu livro O Universo Autista (clique aqui para comprar), recém-lançado pela editora Latitude. 

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Manual de sobrevivência

Livro reúne relatos e orientações para que pessoas do espectro autista se sintam mais acolhidas 

Amizades

Aproximar-se de outras pessoas autistas e levar suas experiências e conselhos em consideração é a primeira das dicas de Clara Törnvall para tornar a vida mais leve e inclusiva.

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Não se compare aos neurotípicos. Eles operam em uma frequência diferente”, avisa. Conseguir expressar quem realmente é para não ter que se adaptar a situações desconfortáveis é a pista de que você está construindo boas amizades.

O número de amigos não importa — escolha bem e mantenha por perto aqueles que te ouvem e te entendem. Quem faz piadas, comentários depreciativos ou acha que o autismo recebe atenção exagerada não deve entrar no círculo.

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Amores

Namorar não precisa ser uma obrigação nem um tormento. “Tente encontrar uma pessoa carinhosa, que valorize os seus pontos fortes”, orienta a autora.

Não importa se ela é neurotípica ou autista também, o essencial é haver conexão e tolerância para algumas dificuldades que alguém dentro do espectro possa enfrentar.

É bom deixar algumas condições alinhadas. Quando a pessoa quer ficar sozinha, não é sinal de que ame menos. Ela também não está sendo preguiçosa quando deixa algo por fazer.

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O reality Amor no Espectro, disponível na Netflix, acompanha casais autistas que são uma grande inspiração. Para facilitar a busca por um parceiro, aplicativos como o Hiki e o Autism Date podem ajudar.

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Escola

No Brasil, alunos autistas têm direito à matrícula em todo tipo de colégio, à adaptação do ensino e ao apoio pedagógico. Quando comprovada a necessidade, mediante laudo médico, pode ser solicitado um professor auxiliar em sala de aula para suprir as demandas.

O jovem também tem direito ao Plano de Ensino Individualizado (PEI), que adapta o programa de acordo com a necessidade de quem tem alguma deficiência, transtorno do desenvolvimento ou altas habilidades.

Se nada disso for respeitado, a solução é mudar de escola. “Quando a única opção é continuar em uma disputa inútil, que prejudica todos os envolvidos, é melhor se retirar”, diz Törnvall.

Rotina

“Viver em um mundo neurotípico é difícil”, admite a autora, que tentou se adaptar às normas, mas só encontrou paz ao descobrir o diagnóstico e reconhecer suas qualidades e dificuldades enquanto uma pessoa no espectro autista.

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“Se você tentar suprimir seu autismo e competir nos termos dos outros, sinto muito em lhe informar: você vai perder.”

Para Törnvall, é importante não reprimir estereotipias, aceitar as próprias características e diminuir a intensidade da rotina e torná-la a mais previsível possível.

Fazer terapia é fundamental, mas é preciso encontrar o profissional certo, que realmente ajude a pessoa autista a florescer. 

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Estímulos

Parte de se conhecer e abraçar as suas características é aprender a ouvir o seu corpo e impor limites aos outros para que respeitem a sua hipersensibilidade a estímulos. Isso é um desafio quando tudo, mesmo as formas mais comuns de cumprimento e celebrações, incluem toques e barulhos altos.

Ter um bom par de fones ou abafadores de ruído pode salvar o seu dia em um ambiente neurotípico. Em relação a abraços, apertos de mão e olhares, o lance é aprender a lidar com os códigos de conduta escondidos no mundo neurotípico.

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“É uma linha tênue para a gente navegar”, conclui a autora no livro.

O Universo Autista, de Clara Törnvall

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