Dor na velhice não é normal: causas e como tratar após os 60

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Dor – definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada ou semelhante a uma lesão tecidual real ou potencial. Ela funciona como um mecanismo de alerta do corpo, sinalizando que algo está errado, e é sempre uma experiência subjetiva, influenciada por fatores físicos, psicológicos e sociais.

Dor não é “normal da idade”, mas sim um alerta que pode transformar a vida de quem você ama.

Na minha rotina diária como geriatra, é muito comum ouvir dos meus pacientes e acompanhantes frases como: “isso é da idade” ou “depois dos 60, é assim mesmo”. Mas essa ideia, apesar de difundida, é um dos maiores equívocos quando falamos sobre saúde na terceira idade.

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Sentir dor não é uma consequência natural do envelhecimento. É um sinal e, muitas vezes, um pedido de ajuda do corpo. Ignorar isso pode custar qualidade de vida, autonomia e até a saúde emocional.

Tipos de dor: entenda por que isso faz diferença

De forma simples, a dor pode ser classificada em dois tipos:

  • Dor aguda: funciona como um alerta do organismo, surgindo em situações como quedas, cortes ou queimaduras. Ela tem função protetora;
  • Dor crônica: persiste por mais de três meses ou além do tempo esperado de cicatrização. Nesse caso, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser considerada uma doença, como, por exemplo, dores lombares, artroses, artrites e fibromialgia.
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Entre pessoas com mais de 65 anos, a dor crônica é extremamente frequente: até 50% dos idosos relata dor diária nas consultas ambulatoriais de geriatria. O envelhecimento pode aumentar a vulnerabilidade a certas condições, mas isso não significa que a dor deva ser aceita como normal.

Principais causas de dor crônica em idosos

As principais causas de dores crônicas nos idosos incluem:

  • Doenças osteomusculares: osteoartrite e estenose da coluna;
  • Doenças reumatológicas: artrite reumatoide e gota;
  • Neuropatias: frequentemente associadas ao diabetes ou a sequelas de herpes-zóster (neuralgia pós-herpética);
  • Efeitos de tratamentos: como quimioterapia.

A dor crônica limita movimentos, reduz a independência e pode afastar o idoso de atividades simples e prazerosas. Aos poucos, isso leva à redução da atividade física, com consequente isolamento social e perda de autonomia, tristeza persistente e, em alguns casos graves e não tratados, à tão temida depressão.

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Tratamento da dor: menos excessos e mais escuta

O tratamento da dor em idosos exige atenção especial. Um dos principais riscos é o uso simultâneo de vários medicamentos, que podem ter como consequência interações perigosas e efeitos colaterais importantes.

Além disso, exames de imagem são frequentemente solicitados em excesso e, muitas vezes, não mudam a conduta, podendo gerar ansiedade e custos desnecessários. Quando, na verdade, uma boa anamnese, ou seja, uma avaliação clínica detalhada, ainda é a ferramenta mais importante.

O que falo sempre é: “ouvir o seu paciente”, “olhar nos seus olhos”. Perguntas simples como: Onde dói? Há quanto tempo? Como essa dor interfere na sua vida? O que você deixou de fazer por causa dela? Cuidar da dor é cuidar da pessoa como um todo; isso faz toda a diferença.

O tratamento eficaz da dor crônica no idoso necessita de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo: ajuste criterioso de medicamentos, fisioterapia e exercícios adaptados, apoio psicológico e estímulo à autonomia e à socialização. Mais do que aliviar a dor, o objetivo é devolver qualidade de vida, dignidade e bem-estar.

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Envelhecer com dor não deve ser o destino; este é um problema que precisa ser tratado e não negligenciado, como muito acontece por equipes médicas. Cada idoso que acredita que “é assim mesmo” pode estar deixando de receber um diagnóstico adequado, um tratamento eficaz e a chance de viver com mais leveza, pois a dor tem solução quando adequadamente avaliada.

Buscar ajuda especializada não é um luxo, mas sim um passo claro e essencial para recuperar qualidade de vida. Porque envelhecer bem não é apenas viver mais. É viver melhor, com autonomia, conforto e dignidade. E isso começa quando a dor deixa de ser ignorada e passa a ser cuidada com a atenção que merece.

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*Julianne Pessequillo, geriatria e clínica médica, membro Brazil Health

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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